sábado, 31 de outubro de 2015

Conto- Despedida

  Eric do Vale


Não faço ideia de qual seja o seu ponto de vista referente a minha pessoa, mas eu sei o que  penso sobre você. O nosso contato sempre foi muito restrito e nunca trocamos mais do que duas palavras, por quê? Jamais houve, entre nós dois, uma afinidade e acho pouco provável disso, algum dia, vir a acontecer, porque somos muito diferentes: seja na educação ou no caráter. Principalmente, nesse último quesito.  
Desde já, fique você sabendo, que para mim sempre foi muito penoso dirigir-lhe a palavra, pois, no meu entender, tal ato só é propicio para aqueles que são dignos. Mesmo assim, eu me sujeitava a isso por uma simples razão: educação. Coisa que você não deve saber o que é.
Bastou eu virar as costas para você manifestar o seu descontentamento em relação a minha maneira de ser, pensa que não fiquei sabendo disso? Seria muito mais nobre, se tivesse feito isso na minha presença, mas vergonha na cara não é todo mundo que tem.
            A minha apatia converteu-se em desprezo, na medida que o meu grau de tolerância por você minguou. Assim como as demais pessoas que fazem parte do nosso convívio diário, você faz jus a este mundo em que vivemos.
            Sei que não sou melhor do que ninguém e estou muito longe de alcançar tal proeza, porque possuo inúmeros defeitos. E como nem tudo são espinhos, posso afirmar que você é um exemplo típico de tudo aquilo que não deve ser seguido. 







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Conto -Apenas Um Sonho No Rio (Dois Estranhos No Ninho)


                                                            Eric do Vale

Estávamos em janeiro e cada um, a sua maneira, procurava ali, na cidade maravilhosa, um norte. O que eu estava fazendo lá? Até hoje, me faço essa pergunta. Quem foi o cristão que teve a ideia de trazer o James Taylor?  Tudo bem que ele seja uma atração internacional, mas não tinha nada a ver com aquele evento! Assim como ele, eu também era um peixe fora d´água.
 No meio da conversa, alguém falou:
- Assim que o James Taylor subiu no palco e começou a cantar uma daquelas baladinhas românticas, o público veio abaixo. Era gente se beijando e se abraçando, eu vi tudo pela televisão.      
Aquele concerto soergueu a carreira dele, visto que ele vinha atravessando uma série de problemas pessoais. De malas prontas, eu iria voltar para a minha realidade, quando um amigo meu disse:
-Já? Por que não fica mais um pouco?
Ele me falou sobre aquele evento e insistiu tanto, que terminei aceitando

Assim que chegamos, fiquei sabendo que, naquela noite, o James Taylor iria tocar e então pensei: “Era só o que me faltava!”.  Estava decidido a sair de lá rumo ao aeroporto, quando me esbarrei em uma moça que, sem querer, derramou cerveja na minha camisa. Mais uma razão para querer ir embora. Foi nesse momento que o James Taylor subiu no palco e começou a cantar You re Got a Friend. Preciso dizer mais alguma coisa? 





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domingo, 25 de outubro de 2015

Conto- Face A Face

Eric do Vale

Hoje, fazem exatamente dois anos que nos reencontramos, dois anos! Não sei se você se lembra disso, creio que não. Foi nesse dia em que você me perguntou se eu estava casado e a minha resposta foi não. Você ainda quis saber se eu tinha namorada e, novamente, a minha resposta foi não. Então, você disse: “Não entendo, você um cara tão bonito e charmoso!”. Aquilo me surpreendeu. Não que eu me considere feio, nada disso. Lembro-me que, naqueles tempos, você fazia questão de enaltecer a minha inteligência, na medida em que critica o meu comportamento agressivo. Nem me darei ao trabalho de refrescar a sua memória, porque sei que você se lembra disso.
Após você ter me dito isso, sabe o que pensei? Beleza e inteligência são duas virtudes que nunca caminham juntas. Minto, caminham sim: nos contos de fadas. Na vida real, um homem detentor dessas qualidades ou é gay ou um psicopata. Não ou eu quem estou levantando essa tese, mas sim as pesquisas que são feitas, diariamente. E o que você acha disso? Refiro-me à minha pessoa, acha que sou bicha ou psicopata?  A primeira hipótese pode ser descartada, tenho certeza de que não sou homossexual, porque gosto, e muito de mulher e você bem sabe disso. 
E o que você acha da segunda hipótese? Nunca, até então, tirei a vida de ninguém, contudo sempre há uma primeira vez, não acha?    Você, naqueles tempos, fazia as vezes de minha advogada e, ao mesmo tempo, promotora. Você, melhor do que ninguém, me compreendia. Como disse, você sabia dos meus defeitos e qualidades e nunca perdia a oportunidade de apontá-los. Isso não ocorria diariamente, mas sim a toda hora. Fosse a sós, na frente de todo mundo e até sem a minha presença, você sempre falava desse meu comportamento dúbio. Quero acreditar que você tenha sido a primeira pessoa, naquele momento, a saber quem realmente eu era e, atualmente, sou.
Sumi do mapa e depois de algum tempo, surjo, sem mais nem menos, na sua frente como um fantasma. Você acha mesmo que aquele nosso reencontro foi por acaso? Tenho certeza absoluta de que no momento em que você me viu não tenha pensado: “Meu Deus, é ele!”. Qualquer pessoa, daquela época, teria feito essa pergunta, inclusive você.

 Você, por um acaso, não entrou em contato com o pessoal, daquele tempo, e não o avisou de que eu tinha voltado?   Nunca passou pela sua cabeça de que eu estivesse seguindo os seus passos, conforme, até hoje, venho fazendo? Não me decepcione, por favor. 





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sábado, 24 de outubro de 2015

Conto- Cizânia

Eric do Vale


Reparo que a mesa onde costumo me reunir, na hora do almoço, com os meus colegas encontra-se, em sentido figurado, ocupada. Como há apenas uma pessoa, não vejo problema de ir até lá e esperar pelos meus colegas que chegarão, dentro de alguns minutos. Mas, prefiro almoçar só do que dividir a mesa com ela.
Há mais de dois anos que estou nesse emprego e nunca trocamos uma palavra, nem mesmo um “olá”. Por quê? Digamos que o meu santo não bateu com o dela. Essa é a única explicação plausível que consigo encontrar.
  Quem sabe, não estou sendo intransigente? Sim, isso é possível. Ninguém tem obrigação de ir com a cara de alguém assim, de primeira. Levando em conta que é comum vê-la almoçando sozinha, penso em ir até lá e fazer companhia a ela, não custa tentar. Pra quê? Ela não vai me dizer nada e continuará me ignorando como sempre fez. E o que é que tem? Farei a mesma coisa, pronto.
Continuo comendo e a vejo se levantar. Intimamente, torço para que ela atravesse aquela porta. Ao sair, fico por mais alguns segundos sentando até, discretamente, me levantar e ir para a mesa onde ela estava.
Nesse momento, os meus colegas começam a chegar, de um por um. Ainda que pensasse em comentar com eles sobre esse assunto, achei melhor guardá-lo para mim. Termino o meu almoço, levanto-me e penso nisso estabelecendo uma espécie de mea-culpa: “Será que o problema não está comigo?”.
...

Ricardo encontra-se no setor pessoal convicto a pedir as contas, mesmo ciente de que perderá alguns benefícios.
- Se quiser, podemos transferi-lo para a nossa filial. _ Disse o funcionário do RH.
- Não, obrigado.
            - Aguarde só um minuto. _ Pegando o telefone e discando.
            Colocado o telefone no gancho, ele diz:
-O chefe pediu para você ir até a sala dele.  
O potencial de Ricardo é uma faca de dois gumes: há quem o superestimem, como existem aqueles que não escondem o desejo de vê-lo pelas costas e fazem questão de humilhá-lo, chegando ao ponto de sabotarem os seus trabalhos.
Ricardo, certa vez, imprimiu uma planilha de contas com a finalidade de mostrá-la ao chefe e bastou ir ao banheiro para que, em poucos segundos, aquele documento evaporasse da mesa dele.  Sorte que ele tinha esse arquivo salvo no pen drive.
 Fatos feito esse tornaram-se bastante corriqueiros até que o grau de tolerância de Ricardo chegou ao fim, depois que alguém, simulando um acidente, derramou café na camisa dele.   A caminho da sala do chefe, pensou:” Se pensa que vai me convencer, o chefe está muito enganado...”. 

...
Hoje, pela manhã, tomei o maior susto, quando vi o Ricardo chegando para assinar a folha de ponto. Ontem, à tarde, ele veio até a minha mesa e falou:
-Estou saindo.
-Saindo?
-Vou cair fora.
- Recebeu uma nova oferta de emprego?
-Não.
-Não?
-Pedi as contas. Não vou cumprir aviso prévio e nem quero.
Nos despedimos e ele saiu. Apesar de considerar aquele ato insano, eu, no lugar dele, também teria feito a mesma coisa.   Pelo menos, o Ricardo teve peito. Ao contrário de muita gente que insatisfeitos, fazem corpo mole para receberem as contas.

Saio do refeitório e encontro o Ricardo pelas galerias. Conversamos um pouco e fico sabendo que o chefe o convenceu a ficar, na condição de remanejá-lo para outro setor. O Ricardo também me falou que deixou o chefe a par do constrangimento ao qual vinha sofrendo por parte de alguns colaboradores, mas não citou nomes. A única exceção foi a dita cuja. Ele não fazia ideia do alivio que eu senti, ao ouvir aquilo.  



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sábado, 17 de outubro de 2015

Conto Déjà Vu

Eric do Vale

Quando entrei no carro, o rádio tocava uma música do James Taylor: You ´ ve Got A Friend. Emendando com Goodbye Yellow Brake Road, do Elton John. Pensei naquele disco e dias antes, entrei em uma loja na esperança de encontrá-lo:
-Por um acaso, vocês não tem aquela coletânea? Um disco que tem o James Taylor, Elton John... 
O balconista, com certeza, não entendeu o que eu estava querendo dizer e acho que ninguém entenderia.
Notei que o som daquele carro executava uma fita cassete, então pedi emprestada para tirar uma cópia. Além dos cantores mencionadas, faziam parte dessa fita Alice Cooper, Eric Clapton, Neil Young e Al Jarreau. Aquele disco, no entanto, continuava em meus pensamentos até que eu decidi procurá-lo na internet.
O nome da gravadora e o ano do lançamento eram as únicas coisas que eu, naquele momento, sabia e para a minha felicidade, consegui encontrá-lo. Tive certeza disso, quando associei os artistas e as músicas deles com aquela fita que por sinal, não sei que fim levou. O disco encontrava-se disponível em vários sites de compras, inclusive em forma de CD. Pensei: “Pra que comprá-lo, se posso, quando quiser, baixar todas essas músicas? ”.
Muito tempo depois, resolvi, novamente, procurá-lo. Sendo que, dessa vez, eu já sabia o nome do disco.  Terminei encontrando o comercial dele. Depois de tê-lo visto, várias vezes, na televisão, falei para o meu pai:
-Olha o Elton John. _ Apontando para a televisão.
-E tem até aquela música:   Goodbye Yellow Brake Road. Vou comprá-lo.
Finalmente, eu encontrei! 



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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Conto- Morde E Assopra

Eric do Vale

O sol já nasceu e aqui vamos nós, despertando para um novo dia! Vamos que vamos! Matar mais um leão por dia!  Aproveito para dizer aos meus ouvintes que leio e respondo, sempre que posso, os e-mails, mensagens, das redes sociais, e também, as cartas que recebo.  Isso mesmo, meus caros ouvintes: em plena era da internet, existem aqueles que conservam o hábito de escreverem cartas. Por falar nisso, quero ler para vocês uma carta que me foi endereçada, no dia 9 de abril: “Como tem quem goste de porcaria, há pessoas que desperdiçam o seu precioso tempo prestando atenção nas baboseiras que você diz, neste seu programa de péssima qualidade. Agora, mais do que nunca percebo que o Nelson Rodrigues estava com a razão, quando afirmou que toda unanimidade é burra. Ainda bem que para toda regra existe uma exceção e eu tenho muito orgulho disso. Aceite este conselho: reveja as sua vida e procure outra coisa para fazer...”. Assim segue essa carta “elogiosa” sem remente e assinada por W.C. No dia 11 de maio, recebi uma outra carta que começa da seguinte forma: “Desde já, quero dizer que admiro muito o seu trabalho e acho você um exemplo para todos aqueles que atuam nesta área da comunicação. É bom saber que existem pessoas como você que fogem as regras! Como jornalista de um importante site informativo, faço questão de enaltecer este seu programa na minha coluna semanal...”.  Dessa vez, uma carta dotada de elogios. Porém, não possuía remetente e era assinada por R. M.
De uns tempos para cá, venho recebendo cartas desse tipo: ora me elogiando, outrora me depreciando. Feito essa aqui, datada no dia 5 de junho: “Sendo eu uma pessoa que prima pela boa moral, devo dizer que reprovo este seu programa que enfatizou os direitos dos homossexuais na sociedade. E não é só isso, você, em outra ocasião, abordou o apoio aos aidéticos e disse que nunca devemos virar as costas para eles. Eu me pergunto: como é possível ajudar um aidético, sabendo que aquela pessoal viveu tão levianamente? Por essas e outras, acho que você, assim como os demais comunicadores, exercem uma influência negativa para a população, promovendo a total degradação...”.  No dia 15 de julho, recebi uma outra carta que falava o seguinte: “Você está de parabéns em utilizar o rádio em prol da sociedade, uma vez que essa é a função essencial daqueles que lidam nos meios de comunicação...”.
Isso me leva a crer que essas cartas foram escritas pela mesma pessoa, pois não havia nenhum remetente e eram sempre assinadas com abreviações, como: J.J, T.J, P.A, R.R, S.S ...  Tive certeza disso, quando recebi duas cartas, uma elogiosa e outra depreciativa, com a mesma assinatura: R.O.

Não sei como me dirigir a uma pessoa que se esconde com vários nomes falsos, mas tenho absoluta certeza de que, nesse momento, você deve estar me escutando. Se isso estiver acontecendo, saiba que terei o maior prazer de saber quem realmente é você. Assim sendo, o desafio está lançado. 


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sábado, 3 de outubro de 2015

Conto- C` Est Fini

Eric do Vale

Existem perguntas que nascem sem respostas ou não merecem ser respondidas, cheguei a essa conclusão baseado na lembrança da minha primeira bicicleta. Eu tinha cinco para seis anos, quando a ganhei de presente, no Natal. Ela era toda azul que, por sinal, é a minha cor preferida. Depois que completei oito anos, os meus pais receberam uma irrecusável de emprego em outra cidade.  Assim que nos instalamos, o meu pai ficou encarregado de voltar para pegar outros pertences que tinham ficado no lugar onde morávamos, inclusive a minha bicicleta.
Visto que haviam passados mais de três meses e ele não cumpriu com o que prometeu, resolvi cobrá-lo. O meu pai, então, me disse:
-Aqueles moleques a quebraram.
-Que moleques?
-Os filhos daquela..._ Referindo-se a irmã dele.
Nunca entendi o motivo dele sentir tanta raiva dela, como, ainda hoje, não consigo entender. A única coisa que eu posso afirmar é que me deixei contaminar com aquilo e cheguei ao ponto de renega-la, assim como o marido e os filhos dela.  O tempo, entretanto, sempre foi muito sábio e convictamente digo que tempo sempre foi sábio, porque foram necessários vinte anos para chegar a um consenso.
Pouco antes de nos mudarmos, fui à casa de uma outra tia minha, onde estava a minha bicicleta. Resolvi pegá-la para dar uma volta nela, no momento em que fui surpreendido pelo meu primo, Wilsinho:
-Onde você pensa que vai?
-Vou dar uma volta com a minha bicicleta.
-Essa bicicleta é do meu irmão, Edson.
-Que história é essa?
Procurei a mãe dele, que também falou a mesma coisa. Eu, todavia, não dei muita importância, pois sabia, desde sempre, que eles tinham como robe cobiçar as coisas dos outros e dei uma volta nela, assim mesmo. Foi a última vez que andei nela. Por que ele não me disse a verdade?




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