domingo, 10 de março de 2013

Conto - Pisando Em Ovos



     

 Eric do Vale

Falo assim sem saudade,
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito,
Mais vale o que será.

  (Milton Nascimento & Fernando Brandt: O que foi Feito Devera)

Olhava-me com ojeriza e a sua repulsa emergia, conforme eu a encarava. Afastei-me da coordenadora, desconhecendo o real motivo daquele comportamento com a minha pessoa. Talvez eu soubesse: sete dias atrás, ela me surpreendeu chamando-a de velha. Voltei à sala, logo que o recreio terminou e a coordenadora apareceu soltando fogo pelas narinas. Mostrando um papel com os nomes dos alunos que estavam dando trabalho,  dizia que era preciso tomar sérias providências. Alguém atrás de mim tocou no meu ombro dizendo que o meu nome estava entre os primeiros.

Tornei a vivenciar, em sonho, a cena do recreio, muitos anos depois. Um amigo meu disse, quando lhe contei, que eu tinha me impressionado, então retruquei:
-Mas não entendo, depois de catorze anos... nem me lembrava mais desse episódio...
-Não mesmo?
-Sim. E tem mais, nunca desejei o mal pra ela...
- Desencana. Depois de você, vieram outros....

Uma nuvem negra pairou sobre a minha cabeça nos dois anos em que estudei nesse colégio. É certo que as punições que sofri decorreram de minhas reinações, mas havia necessidade para tanto terrorismo? O gabinete da vice-diretora igualava-se às salas de interrogatório a que assistimos nos filmes policiais; Não me espantaria se um parque de diversões requisitasse os serviços dessa “instituição educacional” para a sua casa de horrores.

Ano novo, colégio novo e vida nova! A minha classe era constituída por novatos e, em pouco tempo, as “panelinhas” já estavam formadas: os playboys, as patricinhas, a turma do fundão.Quanto a mim, pode-se dizer que eu fosse, mais ou menos, o protagonista de Memórias do Cárcere: não era nada.

Por um dado momento, os resquícios da minha antiga escola me acompanharam. Eu me tremia todo só de ouvir as palavras: suspensão, advertência, expulsão, carimbo na agenda, coordenação, diretoria. Não me sentia bem ver alguém sofrendo represália, mesmo que houvesse motivo, como da vez em que o auxiliar do coordenador apareceu, no meio da aula, trazendo consigo um aluno de outra turma. Pedindo licença ao professor, fez um gesto para que ele fosse ao pedestal e falou para a classe:
- Ele veio aqui fazer um showzinho pra vocês. Se não gostarem, podem vaiar. Comece.
Acabrunhado, levantou o polegar direito e, imediatamente, foi vaiado. Noutra ocasião, estava de saída, uma vez que a aula tinha terminado, e passando perto da coordenação, alguém falou:
- Duvido que escapem.
 Indaguei a razão daquele comentário e a resposta veio em forma de pergunta:
 - Você não viu?
 Percebendo a minha incompreensão, falou-me do caso do tênis: aproveitando o vacilo de um aluno que tirou os sapatos para dormir, durante a aula, pegaram um dos pares e ficaram jogando para um e para o outro até o auxiliar do coordenador aparecer e acabar com a festa. No total, foram sete alunos para a coordenação, inclusive um que levou uma sapatada na cabeça. O coordenador foi categórico:
- Suspensão, por cinco dias.
Todos divergiram e ele se convenceu em deixar passar, na condição de não vê-los mais em sua sala. Até hoje, eu não sei de quem foi a iniciativa de pegar o tênis do rapaz. Seja quem for, merecia uma condecoração por bravura, visto que a fama de bad boy do portador dos sapatos corria solta pela escola.
 Também não entendo como não presenciei essa cena. É provável que eu estivesse atento à aula, porque me sentava na frente e como a confusão se deu lá no fundão...

 Era incrível como um seleto grupo de garotas dominava aquele território em meio à predominância masculina: Alcione era uma figura muito popular e a sua parceira raramente comparecia às aulas. Comumente mudava a tintura de cabelo e quem não a conhecesse direito julgava-a como antipática por causa da sua fisionomia circunspecta. A dupla ganhou hegemonia com a chegada de duas novatas: Janis Joplin e uma patricinha, ás avessas, que se tornou a cabeça do grupo.

Em matéria de “levar sabão” e exclusão sala, elas eram recordistas. Não era qualquer um que tinha peito para, toda hora, “visitar” o coordenador. Apesar da baixa estatura, ele sabia impor respeito: sempre que chegava à sala, ninguém ousava dar um pio, a não ser o ventilador no teto. A minha prioridade, naquele momento, era não me meter em encrenca e no que dependesse de mim, essa meta seria cumprida a rigor.

O primeiro semestre estava chegando ao fim e o auxiliar do coordenador apareceu para avisar que se algum aluno fosse suspenso durante as provas, não teria direito à segunda chamada. Terminado o seu trivial sermão, ele mudou alguns grupinhos de lugar. Sentando-se ao meu lado, uma moça cheia de fricotes resmungou: “Vou me sentar perto desse...”, não me contive em mandá-la... e quando fui me dar conta do que disse, o auxiliar ordenou que eu fosse pra coordenação.

Hoje, recordando esse fato, associo-o com as palavras do personagem principal do livro O Estrangeiro, após assassinar o árabe: “Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz.”. Certamente, isso foi o que pensei quando me dirigi para a sala do coordenador. Graças a Deus, não fui suspenso e não sofri nenhuma represália, mas ele me deu grandes conselhos:
-Não é do dia para a noite que se muda. Todo mundo comete erros... acontecem.
Do modo como falava, parecia que ele tinha conhecimento da minha vida pregressa.

O colégio promoveu um concurso de teatro e a minha classe demonstrou interesse em participar, mas não dispunham de uma peça escrita. De acordo com o regulamento: a peça deveria ser inédita. Eu possuía uma vaga ideia de elaborar uma história, ambientada na década de 50, e os meus colegas aprovaram a sugestão. Sem nenhuma experiência literária, redigi a peça em um dia. Durante os ensaios, percebi que a partir dali comecei a me entrosar com a classe.

No meio da aula, a professora saiu e voltou acompanhada do auxiliar da coordenação, segurando uma camisinha com liquid paper ele disse:
- Há tempos que isso vem acontecendo... além de ser uma brincadeira de puro mau gosto, é uma falta de respeito com a professora.
Avisando que, cedo ou tarde, descobriria o responsável, saiu da sala e todos se entreolharam. Como a peça seria encenada à tarde, minha preocupação era que não fosse ninguém do teatro. Faltando dez minutos para o recreio, a bolsa da professora sumiu. O auxiliar voltou e disse:
- Assim já é demais! Ninguém sai enquanto a bolsa não aparecer.
 A bolsa não apareceu e fomos liberados, mas o auxiliar reforçou na promessa em desvendar aquele mistério.

Não se falava noutra coisa durante o recreio. Comentei com o meu amigo, que também fazia parte da peça sobre a minha preocupação de que alguém do teatro estivesse envolvido nessa confusão quando o coordenador se aproximou de nós e perguntou:
- Resolvido o problema da professora?
- O da camisinha ou da bolsa?_Questionei eu.
-Camisinha?
 Antes que eu pensasse em dizer algo do tipo “nada não”, o meu amigo deu com a língua nos dentes. Agradecendo as informações, despediu-se de nós e avisou que, logo mais, “visitaria” a nossa turma. Assim que ele saiu, eu falei:
-Ele não estava sabendo de nada, e agora?!
 -Agora o circo vai pegar fogo!
 -Vai pegar fogo e muita gente vai se queimar. Só de pensar quando ele descobrir o responsável, eu tenho pena do infeliz... e você contou tudo!
 -Ele ia ficar sabendo de qualquer jeito.
–Eu não quero me sujar com a galera... Desde que eu vim estudar aqui, jurei pra mim mesmo que não me meteria em confusão
-Relaxa.

Cinco minutos após regressarmos à sala, ele apareceu informando que a professora esqueceu a bolsa na sala dele e falou:
- Mas isso foi por causa de um fato anterior que eu tomei conhecimento, durante o recreio, através de dois rapazes desta sala.
Receei que ele desse nome aos bois, mas alguém, lá de trás, tomou à dianteira e mencionou, em alto e bom som, o meu nome e o do meu amigo. Então, constatei:
- Estamos perdidos!
Também ficamos sabendo que a professora não poderia, de forma alguma, levar sustos, porque se encontrava nos primeiros meses de gestação. Ele ainda falou que o responsável por aquela brincadeira também estaria por trás da história dos moldes que colocaram no birô de outra professora e prosseguiu:
-Eu vou dar um prazo de dois dias para que o responsável se apresente e confesse.Do contrário, vou descobrir e darei transferência. E eu descubro mesmo! Já descobri, uma vez, quem roubou minha carteira... e se eu descobrir que estão dando cobertura... também receberá transferência.
E foi embora.

Não demorou muito para que o quarteto fantástico se apresentasse à coordenação e confessasse tudo até a travessura dos moldes. Como castigo, foram suspensas por dois dias. E, para o meu alívio, não foi ninguém do teatro. Apesar de todo o nosso empenho para montar a peça, não nos classificamos. Tudo isso pode ser definido numa única frase: “Jogara a viola no mundo, mas fui lá no fundo buscar.”.  



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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Crônica - Assim Caminha a Banalidade



                                                                                     
                                                                                      Eric do Vale 


Nunca foi segredo pra ninguém o desejo de Fernando Collor em voltar à presidência da República. Ele deixou isso bem explicito numa recente entrevista concedida à revista Época. Compartilhei essa matéria no meu Facebock e uma amiga comentou: “Se duvidar ele ganha... o povo é burro e tem a memória fraca!”. Baseando-me na tese: “Quem apanha não esquece”, argumentei que, a partir do momento em que ele lançasse a sua candidatura, a população haveria de lembrar-se das economias confiscadas durante a  gestão dele.  Sem se dar por vencida, ela rebateu: “Meu amigo, eu não duvido desse povo que é enganado por todo mundo. Ele volta se quiser, ele volta!”; “Isso seria o cúmulo da idiotice.”; “E tu achas que a maioria dos brasileiros são o quê?”; “Parto do princípio de que as pessoas mudam. Se ele chegar a se candidatar, não passa no primeiro turno.”; “Deus te ouça!”.

Surpreendido, dias depois, com a notícia de que Renan Calheiros havia sido novamente eleito para a presidência do Senado, procurei a minha amiga a fim de debater aquele acontecimento e ela falou: “Tá vendo? O bonitinho também pode voltar.” O seu comentário me fez perceber, naquele instante, que todo o meu pensamento sobre a população brasileira havia caído por terra. 

Impressionou-me que a vitória de Renan Calheiros ocorreu na mesma semana em que os nossos compatriotas se encontravam sensibilizados com a tragédia de Santa Maria. Aproveitando o dialogo com a minha amiga, perguntei qual relação poderia ser estabelecida entre esses dois acontecimentos e ela respondeu que nenhuma. Fiz essa pergunta para outras pessoas e as respostas foram as mais variadas: “Tá tudo perdido!”; “São duas tragédias numa semana só” e houve quem associasse esses fatos com a omissão e a falta de ética no nosso país.

Uma dessas respostas me chamou a atenção por representar a incógnita daquela pergunta: “Nesse país já é fácil jogar tudo embaixo do tapete e começar tudo de novo, mais fácil ainda quando a população tem memória fraca.”. Quando todo esse burburinho acabar, quem vai se lembrar desses dois acontecimentos?

Mesmo que tudo isso tenha despertado um sentimento de indignação misto com senso de justiça, futuramente esses fatos tendem a ser encarados como “mais um caso” que, por uma razão ou outra, terminaram caindo na banalidade.

Não estou bem certo se todos se lembram de um grupo musical chamado Sr Banana que teve uma curta duração na década de 90. Eu presumo que não, mas o refrão do seu único hit, Dignidade, remete muito bem a todo esse contexto: “Eh! Dignidade foi-se embora pra onde? Ninguém sabe onde se esconde.”.


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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Crônica - O Ópio do Povo



Eric do Vale


Aleguei ,quando indagado, desconhecer o pensamento freudiano e a minha amiga falou: 
-Li alguma coisa dele, mas desisti... acho que qualquer pessoa que lesse o que ele escreveu viraria ateu. -Por quê?_Perguntei eu. 
-No primeiro parágrafo, ele afirma que Deus é inventado pelo homem, porque a sociedade precisa de um Deus.
Curioso, pesquisei sobre isso e, dias depois, retomei essa discussão dizendo-lhe que ele não era ateu e, muito menos, contra religião alguma. Em seus estudos, Sigmund Freud constatou que o ser humano tende a usar a religião como válvula de escape para os seus problemas. Essa tese também já havia sido defendida por Karl Marx que a definiu como “ópio do povo”.

É importante esclarecer que essa expressão não tinha o propósito de blasfemar contra nenhuma religião, conforme muitos, erroneamente, acreditam. Na verdade, isso foi uma critica ao modo alienável como as religiões eram transmitidas à população.

Sem segmentar-se apenas a religião, o “ópio do povo” vigora mais do que nunca nos dias de hoje. Cada indivíduo apresenta um modo particular de nublar sua visão da realidade ou subtrair-se dela. É o caso dos meios midiáticos que não cessam de fornecer e aplicar doses cavalares na sociedade.

Do mesmo modo que o carnaval, o futebol e a telenovela “entorpecem” os brasileiros, também são as produções hollywoodianas com a população estadunidense. A guerra do Vietnã é um bom exemplo disso. Mesmo cientes de não terem saído vitoriosos, eles fazem questão de, através dos filmes, distorcerem essa realidade, seja explorando o seu orgulho patriótico, feito Os Boinas Verdes, seja criando personagens que tendem a cair no gosto popular, tipo Braddock e Rambo, no entanto existem produções norte-americanas que fogem a essa regra como: O franco atirador, Apocalipse Now, Platoon, Nascido para matar e Nascido em 4 de julho.

E por falar em Rambo, a prova dissertativa da seleção de Mestrado em Comunicação Social da PUC, do Rio de Janeiro, elaborou uma questão em que o candidato deveria fazer uma análise do personagem interpretado por Sylvester Stallone com o governo Ronald Reagan, tendo como base o livro A Cultura da Mídia, de Douglas Kelnner.

Qualquer um, provavelmente, saberia responder a essa questão, mesmo não tendo lido o livro. No primeiro filme, Rambo Programado Para Matar, Sylvester Stallone incorporou um personagem que refletia o perfil do cidadão norte-americano no início da gestão Reagan: um ex-veterano de guerra atormentado pelas lembranças do Vietnã e descontente com a vida civil. Diante do caos que os Estados Unidos atravessavam, o “cowboy” tomou medidas ortodoxas que reverteram à situação política e econômica de seu país, culminando com a sua reeleição. Esse contexto foi retratado em Rambo II: A Missão: o protagonista era designado a regressar ao Vietnã para resgatar os seus patrícios. Metaforicamente, esse filme simbolizou o renascimento do império ianque e a consolidação do governo Reagan que foi salientado na seqüência seguinte em que o Rambo vai ao Afeganistão salvar o seu amigo das mãos dos soviéticos.  Rambo III foi lançado no momento em que governo norte-americano assinou, juntamente com a União Soviética, um acordo de sanções de armas nucleares que, além de resultar num processo, gradual, de finalização da Guerra Fria, consagrou a “Terra do Tio San” como superpotência.

Embasado na referência acima, constata-se que as críticas, despudoradas, não desmerecem o “ópio do povo”.  Se ele fosse ruim, não seria tão procurado, como são as drogas, lícitas e ilícitas, existentes. 




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terça-feira, 16 de março de 2010

Poesia - PRIMEIRO VERSO

Eric do Vale



Sou uma alma que espanta o mal
Teu som de um vento
E um canto de um pássaro
Velocidade de um coração
Sou uma alma que vaga pelos quatro cantos do mundo
Feita dos quatro elementos
Pois quando é vencida
Desaparece como uma espada.


*Escrito no dia 8/12/93, foi o primeiro poema que fiz e que foi guardado por minha tia  Nathalina.Para a família, tia Tuca.

domingo, 14 de março de 2010

Conto - O SEGREDO DO FALECIDO

Eric do Vale


Após a abertura do testamento do doutor Raul, Mauro,seu advogado ,disse:
-Antes de morrer o doutor Raul me contou um segredo de suma importância.Sendo que eu só posso revelá-lo daqui há três anos.
-Mas por quê?_Perguntou Marcelo, filho de Raul.
-Ordens do seu pai, que além de meu cliente, também era meu grande amigo.E por essa razão vou acatar esse seu pedido.Eu sinto muito...
Finda conversa, Mauro despediu-se e foi embora.
Um dia Dinorá, viúva de Raul, chamou Mauro e exigiu que lhe revelasse o segredo.Ele respondeu:
- Só daqui há três anos._E foi embora.
Algum tempo depois,Mauro telefonou para Dinorá e disse:
-Reúna toda a família, já não aguento mais e vou revelar o segredo
Dinorá acatou sua ordem.Imediatamente a família,em peso, estava toda reunida.Aguardando ,ansiosamente a chegada do doutor Mauro.
É quando Santa, a copeira, chega na sala e diz:
-Dona Dinorá, dona Dinorá...
-Que foi, Santa?
-Deu no jornal que ocorreu um acidente de transito bem aqui pertinho... e morreu várias pessoas.Um deles é aquele advogado do seu finado marido.
-O Mauro?
-Sim, tá até passando na televisão.
Eles ligaram o aparelho, era tudo verdade. E agora, qual era o segredo?

*Menção Honrosa m 2002 na categoria de contos do concurso Literário Professora Edith Braga pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil(AJEB)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Conto - O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

Eric do Vale

Pedro estava bastante insatisfeito naquele início tarde não havia aparecidoum freguês em sua relojoaria.Até que quando ele estava em tempo de fechar a loja, veio uma mulher de vestido azul.Ela entrou, olhou e escolheu relógio todo folheado a ouro.
Ela pediu que Pedro embrulhasse para presente e falou:
-Segunda-Feira é aniversário do meu marido e eu gostaria de fazer uma surpresa para ele.Por gentileza, o senhor poderia entregá-lo?
-Claro que sim.
Ela deu o endereço e foi embora.
No dia combinado, Pedro deixou o seu empregado tomando de conta da loja.E foi para a casa da moça.Ele apertou a campainha e um homem o atendeu:
-Pois não?
-Seu Fernando?
-Sou eu,entre.
-Meus parabéns, a sua esposa me pediu para que eu te desse esse presente.
-Desculpe ,eu não tenho esposa.Sou viúvo, minha esposa já faleceu há quinze anos._Mostrando o retrato dela em cima do móvel.
-Mas foi ela mesma...
-Vá até ao cemitério que fica aqui perto e verá que não estou mentindo.
Pedro se desculpou e resolveu ir ao cemitério para tirar essa história a limpo.Cegando lá, ele viu o tumulo da moça e para o seu espanto, viu que ao lado do tumulo dela jazia o seu marido.