domingo, 13 de abril de 2014

Poesia- Na Espera


Eric do Vale

Espera-se que se espere algo
de alguém na esperança de
alguém esperar por algo .

Algo esperado por alguém
é esperado de alguém, mas ninguém
espera nada de ninguém. 


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Poesia- Próximo Assalto

      Eric do Vale

Lona! Aqui vou eu
a nocaute para beijar-te,
saboreando esse amargor
igual a dor física e moral.

Soado o gongo,
parto com um cruzado
e recebo um.

Lona!
1,2,3...
lá vamos nós
outra vez.  


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sábado, 12 de abril de 2014

Conto- Toda Família Tem...


                                                           Eric do Vale

“Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando.”
(Tô Voltando: Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

Pasmas ficaram, quando o viram chegar:
  Já? Perguntou a filha.
Eu fiquei gripado e o clima de lá não era tão agradável.
Pai, abre o jogo: sua irmã te botou pra correr.
Que conversa é essa?
É pai, ninguém te suporta.
Nada disso...
Visto que ele não daria o braço a torcer, a sua filha e esposa aceitaram a sua versão, sabendo que, um dia, a verdade viria à tona.
Colocado o telefone no gancho, comunicou aos seus familiares, marido e filhos, que o seu irmão viria, em fevereiro, para passar um mês com eles. Seu esposo comentou:
Até que enfim, vou conhecer o meu cunhado!
É.Dizia ela de uma maneira murcha.
Sem entender, os seus filhos questionaram:
Mãe, a senhora parece não estar feliz?
A expressão de descontentamento era visível em seu semblante e, com o passar dos meses, tornou-se crescente, percebendo que o seu irmão estava decidido a vir, não lhe restou outra saída, se não recebê-lo em sua casa.  O quarto dele já estava preparado, quando ele disse que preferia dormir na sala. Mesmo achando estranho, ninguém o contrariou.
No terceiro dia, todo mundo estava pedindo a Deus para que fosse embora.  Ninguém mais, naquela casa, tinha liberdade, porque ele havia monopolizado a televisão, o computador e o telefone. Sentava-se no sofá como se estivesse em sua própria moradia, espalhava as roupas pelos cômodos, falava alto, intrometia-se nas conversas alheias e mastigava de boca aberta, deixando a sua irmã horrorizada:
Até parece que não fomos educados da mesma maneira, porque você não tem um pingo de modos!
Pra completar, era chegado numa “branquinha”. Fosse qualquer hora do dia, lá estava ele no boteco, próximo de casa, tomando umas e outras. Há dez anos trabalhando para aquela família, a diarista desabafou com a sua patroa:
Se o seu irmão continuar, mais uns dias, aqui em casa, eu peço as minhas contas.
Sorte a dele, naquela sexta-feira, não estar presente, pois quando a sua irmã viu o colchão onde ele dormia todo mijado, teve vontade de matá-lo. Perto do meio dia, ele chegou encachaçado e deitou-se no sofá. A sua irmã foi enérgica:
Levanta daí e trate de ir tomar um banho, agora!
Dirigiu-se, cambaleante, para o banheiro, quando a sua irmã deu-lhe um ultimato:
E faça o favor de, hoje mesmo, antecipar a sua viagem!
De banho tomado, arrumou a mala e foi embora sem se despedir de ninguém. Enquanto isso, a sua mulher e filha desfrutavam das férias que haviam tirado dele.




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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Conto- Ponto Final


                   Eric do Vale

                             Ao encontro deles dirigiu-se Eliseu, que foi logo dizendo:
Ainda bem que vocês chegaram!
Eliseu Simões? _ Perguntou um dos homens.
Sou eu mesmo. Podemos ir?
Ele se deixou algemar e ser conduzido até a viatura, antes mesmo de receber voz de prisão. Todo mundo, naquele momento, deveria estar viajando ou cantando “Noite Feliz”, mas os jornais, no dia seguinte, noticiariam: “Homem Executa Família a Tiros, Durante A Ceia De Natal”.
A vizinhança haveria de lembrar-se das inúmeras vezes em que a policia foi acionada, em função das constantes brigas do casal e, provavelmente, diriam: “Eu sabia que isso terminaria assim.”.
Não era de hoje que Eliseu desconfiava da infidelidade de sua esposa. Ao flagrá-la conversando, as escondidas, no celular, ele foi até o quarto, pegou o seu revólver, carregou-o e retornou para a cozinha. Finalizada a ligação, colocou-se diante dela e não balbuciou nenhuma palavra, deixando-a aflita:
  O que você quer? _ Perguntou ela.
Ele permaneceu parado, sem dizer nada, impedindo a passagem dela, que gritou:
Me deixe em paz!
Você vai ficar em paz. _ Apontando a arma para ela.
Uma bala acertou o coração, antes mesmo que ela tivesse a chance de gritar por “socorro” ou pedir “clemência”. Após dar cabo na vida da sua esposa, Eliseu fez o mesmo como sogro, a sogra e o cunhado.
Um misto de frieza e serenidade transparecia em sua face, à proporção que o seu depoimento era tomado. Ciente de que, horas antes da ceia começar, os dois tiveram uma séria discussão, o delegado quis saber o motivo e Eliseu desabafou:
  É uma pergunta que eu não vou saber te responder, porque brigávamos por tudo, o tempo todo. Não me lembro de nenhuma vez, nesses dez anos, que tenhamos ficado sem brigar, pois isso fazia parte da nossa rotina.
Nunca pensaram em se separar?
Até que tentamos, mas não deu certo.
Por que não deu certo?
Outra pergunta que eu não vou saber te responder.
Possuidora de um temperamento hostil, ela estava sempre em atrito com os vizinhos, agredindo-os física e verbalmente, conforme registrados nos Boletins de Ocorrências. Até o seu marido abriu uma queixa contra ela, por ter esfaqueado o braço dele.
Constantemente, ela o humilhava, chamando-o de imprestável e desprezível sem se importar com a presença de terceiros, ao ponto de cuspir-lhe na face. Os familiares dela, por sua vez, intervinham em seu favor, deixando-o em uma posição vulnerável.
Consumado o assassinato, Eliseu tomou um cálice de vinho tinto, jantou e logo em seguida, discou para a policia:
Alô, gostaria de fazer uma denúncia.
Pois não.
Houve um crime, aqui na rua... Edifício... Número...
O que aconteceu?
Matei a minha mulher, meu sogro, minha sogra e o meu cunhado. Estou esperando por vocês na portaria, tenham boa noite e um FELIZ NATAL!




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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Poesia- Sob Pressão

Eric do Vale


Será possível que só se consiga estudar,
porque os seus pais ameaçam te castigar,
caso de ano você não conseguir passar?

Há precisão que o chefe ou patrão
faça pressão em te demitir  para
que assim, você possa melhor fluir?

Será possível que para entender
a melhor forma de proceder,
a polícia venha te prender?

Será possível?
Mas será possível!  



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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Poesia- 1º de Maio de 1994


Eric do Vale


Parecia mais um dia
e melhor seria,
se fosse
mais um dia.

Domingo,
feriado,
dia do trabalho.

Quem diria
que aquela vez
 haveria  de ser
a derradeira?

Ver o Senna
entrando em cena
seria, outra vez,
uma alegria,
 se não fosse
aquele dia.




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Soneto- Musa De Um Trovador

Eric do Vale

Se me fosse concedida a honraria
de atender pelo nome de Dirceu,
é bem certo que eu me deleitaria
no esmero deste mero versejar.

Invento de clamar por Marília
e simplifico esse meu decanto
entoando pelos quatro ventos
ser o mar que faltava na minha ilha.

Julgo não passar de uma miragem,
quando, tomado pela emoção, vejo
sua imagem projetada na constelação.

Nas palavras que me fogem, busco
assim encontrar o anseio que me
coloquem na altura desse trovar.



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