domingo, 6 de março de 2016

Conto- Beco Sem Saída

Eric do Vale



          - Já leu aquele livro, Mentes Perigosas? Lembro-me de que, uma vez, eu tinha recomendado para você ler e agora, mais do que nunca, reforço a dica. Vai por mim: essa mulher é uma psicopata, Mesquita.
Mesquita pensou muito s naquele conselho e chegou à conclusão de que a melhor coisa a ser feita era cortar o mal pela raiz.
Antes de dormir, lembrou-se do último dialogo que teve com Lucrécia:
- Eu sou realista e quando gosto, é pra valer. _ Disse Lucrécia.
-O que está havendo com você?
-Só saudade.
-Desculpa, se estou sendo rude.
-É melhor você me excluir.  
-Excluir?
-Do telefone, face, do raio que o parta! Será melhor para mim. Assim, não poderei te ver mais. Sumir, evaporar!
Era a terceira vez que Lucrécia vinha com aquele papo e Mesquita, não suportando mais, desabafou:
-Que palhaçada é essa?
-Não gostei do tom.
-Foi você quem começou. Isso me faz lembrar a semana passada, quando não te dei a atenção e deu no que deu.
Naquele dia, Mesquita falou para a Lucrécia que ela estava com a razão de terminar tudo e finalizou:
-Sabe, eu tenho uma namorada e logo mais, noivaremos.
-Agora, você diz que tem uma namorada? Bem que a Matilde me avisou! Você não passa de um calhorda, salafrário!  Ficou me iludindo, dizendo coisinhas românticas, o que pensa que eu sou?
-Não estou pensando nada disso e também, não te prometi nada.  
-Não prometeu? Espere e verá.
Naquele mesmo dia, Mesquita recebeu, pelo celular, uma mensagem dela dizendo seguinte: “O que significa isso?”. Logo em baixo, havia uma conversa dos dois que ela havia printado. Ele quase teve um enfarte, quando leu detalhadamente, aquela conversa antiga e pensou: “É melhor eu sumir da vida dessa mulher, senão ela vai acabar comigo.”.
Era uma hora da manhã, quando o telefone tocou. Vendo que era ela, Mesquita desligou. Na hora do almoço, ela enviou-lhe uma mensagem dizendo: “Desculpe pela, não fui eu quem te mandei aquilo...”. Antes que pudesse deletar, o telefone dele tocou. Era ela. Mesquita atendeu e depois de ouvir tudo o que ela tinha lhe falado, pensou: “O que é que eu faço?”.
Não demorou uma semana para tudo aquilo se repetir. Ao procurar Plácido, seu velho amigo, que, sem muitos rodeios, deu-lhe este conselho:
- Sai fora, meu camarada.
Antes de bloqueá-la de tudo, Mesquita dirigiu-se até a sala do gestor e disse:
-Gostaria de ser transferido.
-Para onde?
-Para o lugar mais longe daqui.
O chefe mostrou-lhe o mapa do brasil e disse:
-Nós estamos aqui. _ Apontando. - Você tem duas opções: Amazonas ou o Rio Grande do Sul, faça a sua escolha.
Naquelas condições, qualquer lugar era valido.




sábado, 5 de março de 2016

Conto- Venha A Nós

Eric do Vale

                

              -Oi, Fausto, tudo bem?
            -Sim, tudo bem. E a patroa?
            - Ela está bem, chegou em casa, agora.
            -Era exatamente sobre ela que eu queria te falar. Veja você que, há vários dias, venho tentando falar com essa minha prima, mas não obtive nenhuma resposta dela. Cheguei a pensar que eu tivesse feito alguma coisa que a tivesse deixado magoada.
-Fica frio, Fausto. Dificilmente, ela usa estas redes sociais. Além disso, são coisas da família Guedes. Você entende?
-Não, não entendo. Quer me explicar, por favor?
Silêncio absoluto. É claro que eu sabia o que ele estava querendo dizer, mas me fiz de desentendido. Sei que nas minhas veias correm o sangue dos Guedes, mas hei de convir com o Cristiano: essa família é osso duro de roer!
O Cristiano me contou que, certa vez, ele e a esposa foram de visitar o Adamastor, um parente nosso, e quando chegaram à casa dele, cadê? Ficaram até meia noite esperando por ele, mas nada do Adamastor chegar. Dias depois, foram informados de que ele tinha viajado.
Eu não entendo a minha prima:  ela nunca portou-se dessa maneira comigo, sempre que manifestava interesse de vir passar as férias, aqui em casa. A última vez que isso aconteceu, a minha prima era solteira e, sem me avisar, trouxe a amiga dela que por sinal, preenchia todos os requisitos de uma visita indesejável. Deus foi testemunha de que eu fiz de tudo para ser tolerante com essa. No entanto, a única solução que encontrei foi mostrar-lhe, de uma forma não muito cortes, a porta da rua.
Aquele comentário do Cristiano foi o estopim para que eu a procurasse a fim de mandar-lhe esta mensagem: “Olá! Não sei se você percebeu, mas venho, há dias, tentando falar com você. Posso até entender que seja uma pessoa ocupada, porque eu também tenho os meus afazeres. Todavia, existe uma coisa chamada educação e tenho certeza de que você não saiba o que seja isso. O que mais me impressionou é que eu falei isso para o seu marido e sabe qual foi a justificativa dele? Ele disse que isso era coisa da família Guedes. Considero a resposta dele uma desculpa esfarrapada. E se você não sabe, eu também faço parte da família Guedes, mas, em momento algum, fui capaz de ser desatencioso com os meus familiares.”.
Horas depois, o marido dela telefonou-me dizendo:
-Gostei da mensagem que você enviou para a minha esposa. 
A princípio, pensei que ele estivesse ironizando ele continuou:
-Você tem toda razão, Fausto. Inclusive, eu puxei a orelha dela.





Conto- Via-Crúcis

                                                            
                                                                                            Eric do Vale

1

Como foi que ele me encontrou? O miserável ainda teve a cara de pau de enviar-me esta mensagem: “Você é quem estou pensando? Se for, tudo bem?”. Ele fala assim, como se nada tivesse acontecido. É muito sínico! Pode passar milhões de anos, mas eu jamais vou esquecer o que esse maluco me fez. Não entendo como é que uma pessoa dessa fica á solta.  Era para ele estar na cadeia, no hospício ou então, morto. Sim, morto, porque seria um canalha a menos na terra.
O que é que eu faço? Chamo a polícia? Mas, ele não me fez nenhuma ameaça, por enquanto. Caso faça, darei parte dele. Aliás, vou falar com o meu marido e contar-lhe tudo o que aconteceu. Será que ele sabe onde eu moro? Pensando bem, já está mais do que na hora de me mudar daqui. Vou para o interior, São Paulo e se for preciso, viverei em outro país só para que esse “fantasma” não saiba da minha existência.
Eu deixei bem claro para ele, quando aconteceu aquilo, que ficasse distante de mim e que me esquecesse, deixando-me em paz. Respondo a mensagem desse patife ou deleto? Para mim, ele nunca existiu. Melhor dizendo: esse sujeito deixou de existir, a partir do momento em que fez aquilo comigo. 
...
Finalmente, eu a encontrei. Qualquer um, no meu lugar, não devia procurá-la, depois de tudo o que aconteceu. Já se passaram tanto tempo e apesar de tudo, gostaria de pensar que ela encarasse aquilo como um arrombo da juventude. Sim, foi isso.
Uma vez, dei de cara com ela que virou o rosto para mim e saiu da calçada, onde eu estava. Em uma outra ocasião, fui ajudar uma conhecida minha a carregar as compras até a casa dela e lá chegando, encontrei logo quem? Ela, assim que me viu, levantou-se e despediu-se da anfitriã de uma forma não muito cortes.
-Espere aí, o que foi que houve? _ Perguntou a dona da casa.
-Eu vou embora, não quero ficar aqui.
-Aconteceu alguma coisa?
-Pergunte a ele. _E foi embora.
A dona da casa, sem entender, me pediu uma explicação e eu, obviamente, contei-lhe tudo. Minto, nem tudo. Qualquer um, na minha situação, teria vergonha de falar detalhadamente sobre o ocorrido.  
Eu fiz o que fiz e terminei pagando por isso. Mesmo que ela tenha todos os motivos para não querer me ver nem pintado de ouro, não há, no meu entender, cabimento para ter tanta magoa no coração.
2

                        -Esqueça que eu existo, entendeu?
                        -Desculpa, eu me descontrolei.
                        -Descontrolou? Nem o meu pai jamais bateu na minha cara.
                        -Realmente, eu fui injusto.
                        -Me deixe em paz! Suma da minha frente, senão quiser deixar as coisas piores do que já estão.

            Não demorou muito para que todos tomassem conhecimento desse fato e, sumariamente, ele fosse crucificado.  Principalmente, pela ala feminina.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Conto- A Sósia

Eric do Vale

            Sempre que a minha mãe se refere a atual novela das seis, Êita Mundo Bom, mencionando o nome Cunegundes, personagem da Elizabeth Savala, com aquele carregado sotaque caipira utilizado por boa parte do elenco, tenho uma imensa vontade de rir.
            Só Deus sabe o quanto me esforço para não ter uma crise de riso, no momento em que vejo a Elizabeth Savala em cena.  Pudera, as performances dela são hilárias! No entanto, a minha vontade incontrolável de rir não se limita apenas nisso: quando estudava na sexta série, tinha uma moça na minha classe cuja aparência física era idêntica à dessa atriz.
            Naquela época, estava passando a novela Quatro Por Quatro, razão pela qual rendeu-lhe o apelido de Auxiliadora. Quando foi ao ar Quem É Você?, a turma foi implacável: a nossa colega, naquele momento, era, o tempo todo, chamada de Maria Luiza.
            Lembro-me que para essa minha colega de sala nunca havia tempo ruim, pois estava sempre de bem com a vida e com o sorriso até as orelhas. Por falar nisso, ela e eu, tínhamos, naquela época, alguns bate bocas, coisas de pré-adolescente. Por isso, quando vejo a Elizabeth Savala em alguma cena desse tipo, não me contenho e caio no riso.
            Eu adorava, por exemplo, vê-la naquela novela, Amor A Vida, dizendo: “Conserve os dentes!”. Aliás, essa atriz criou vários bordões que além de inesquecíveis, caíram no gosto popular como: “Oh vida tirana!” e “Ai, como sofro!”.
            Dia desses, encontrei essa minha ex-colega de classe, nestas redes sociais, e pelo que pude perceber, ela não mudou nada fisicamente. Logo, fico imaginando, nos dias de hoje, qual personagem o pessoal a chamaria?  

Conto- Faz Parte...

Eric do Vale

Quem diria que ali, na faculdade de jornalismo, iriamos, pela segunda vez, nos reencontrar?  Fazia uma semana que eu estava estudando naquele colégio, quando, na hora da saída, ela me abordou. Embora estivesse dois anos adiantada do que eu, tivemos, no colégio anterior, uma convivência diária, em razão do regime de semi-internato pelo qual ela e eu fazíamos parte.
 E se não estou enganado, o contato que, naquela época, tivemos além de ter sido muito restrito, era bastante conturbado: brigávamos por tudo, o tempo todo. Prefiro acreditar que a nossa incompatibilidade de gênios tenha sido fruto da fase pela qual estávamos atravessando, naquele momento. No entanto, reconheço que houve situações em que tivemos sim uma relação amistosa.
Até hoje, eu não me esqueço quando, na hora do almoço, a coordenadora lembrou a todos nós do dia das mães, data a ser comemorada dentro de dois dias.  Assim que terminei de almoçar, fui escovar os dentes e encontrei essa minha colega sentada na escada chorando. 
Pensei em ir até ela para consolá-la, mesmo sem saber o motivo.  No entanto, desisti da ideia e depois, fiquei sabendo o porquê daquilo: ela, naquele momento, lembrou-se da mãe dela que, um ano atrás, havia morrido. 
Depois desse dia, procurei ser mais tolerante com ela e assim, o nosso contato tornou-se mais harmonioso do que outrora até deixar o semi-internato e perdê-la de vista. Passei a vê-la com mais frequência nesse novo colégio, porém os nossos diálogos resumia-se apenas a um “Bom dia”. Algo não muito diferente, quando nos reencontramos na faculdade de jornalismo. Sendo que, dessa vez, tornou-se muito raro trocarmos um “Olá”. 

quinta-feira, 3 de março de 2016

Contos- Melhor Assim

           
Eric do Vale

        Comecei a deletar uma por uma, quando me deparei com a mensagem do João Henrique: “Sempre tive muita estima pela pessoa que você é, Rubens. As brincadeiras, nos tempos de colégio, não passavam de meras molecagens.  Nunca te considerei um idiota, mas se você faz tanta questão disso...”.  
            Durante um ano, fomos colegas de sala e não havia um dia sequer em que ele não me pegasse para Cristo. Estando calado ou não, para o João Henrique não fazia diferença. Na concepção dele, eu era sempre motivo de escarnio.
 Quando não estava atirando bolinhas de papel, durante a aula, chamava-me de bichinha ou outro termo similar. O mais surpreendente disso tudo era que o infeliz liderava aquela massa. Feito aquele personagem do Sérgio Telles, eu me lembrava daqueles prisioneiros dos campos de concentração dos filmes de guerra e me perguntava até quando suportaria tudo aquilo.
A conclusão do meu terceiro ano pode ser resumida em uma única palavra: alivio. Contudo, dois anos depois, o João Henrique veio me procurar, na minha casa. Apesar de muito tenebroso, baixei a guarda e o fiz entrar. Conversamos um bocado e ele me disse que admirava muito a minha obstinação. Não vou negar que, depois que o João Henrique foi embora, eu continuei cabreiro. Até hoje, não entendi aquela vinda inesperada dele na minha casa.
            Algumas vezes, chagamos a nos encontrar de forma meio esporádica e ele não perdia a oportunidade de soltar uma piadinha sobre mim. Logo, conclui que não haveria a menor possibilidade de termos algum vínculo.
Em um desses encontros casuais, o João Henrique pediu o meu Facebook e apesar de ficar com o pé atrás, não havia como negar-lhe. Mal sabia eu que aceitando a amizade dele, no Facebook, estaria assinando a minha sentença. Minto, sabia sim. Entretanto, apelei para o meu bom censo, dando-lhe um voto de confiança na eminência dele ter amadurecido. Ah se arrependimento matasse!
            As piadinhas de outrora voltaram com mais força e qualquer coisa que eu postasse, lá vinha ele com os seus escárnios sobre mim. Por que aquilo? Conclui que a melhor coisa a fazer era excluí-lo e bloqueá-lo. Todavia, eu não poderia passar o tempo todo me escondendo e então, enviei-lhe esta mensagem: “Como é possível solicitar a “amizade” de alguém com quem você não simpatiza nem um pouco? Nos tempos de escola, eu só ouvi da sua boca palavras rudes a meu respeito e tudo o que eu fizesse, era motivo para você me ridicularizar na frente dos outros. E pelo jeito, as coisas, para você, continuam iguais. O que você pretende?”.
            Disse-lhe tudo o que, há muitos anos, estava entalado e finalizei: “A partir de hoje, esteja certo de que esta será a última vez que te dirijo a palavra.”.  Ele não deixou barato e também disse tudo o que pensava sobre mim, mas eu não dei a menor importância para as palavras dele.
            Agora, quase dois anos depois disso ter acontecido, deparei-me com essa mensagem. Li quantas vezes achei necessário até deletá-la.  Depois de desbloqueá-lo, enviei-lhe uma solicitação de amizade e não tardou muito para o João Henrique se manifestar teclando o seguinte: “Depois de tudo o que me falou, você tem acara de pau de me mandar uma solicitação de amizade! Faça o seguinte: leia a mensagem que você escreveu para mim.”.  Não tive dúvidas: melhor deixar as coisas como estão. 

Contos- Outros Tempos

Eric do Vale

Era uma tarde de sexta-feira e não me lembro bem como foi que tudo começou, mas nunca esqueci do que você disse:
- O Hector diz as coisas na lata.  Ontem mesmo...
De repente, você se calou e eu perguntei:
-O que foi que eu fiz, ontem?
-Deixa pra lá.
Não dei o braço a torcer e horas depois, te procurei dizendo:
-Sabe, fiquei muito curioso com o que você comentou, horas atrás. Quer dizer que eu falo tudo na lata? Por favor, me diga o que foi que aconteceu, ontem.
-A Sabrina, fresca do jeito que ela é, não quis te dar a mão, quando você a cumprimentou. Logo, a sua reação foi responder o seguinte: “Fique despreocupada, porque eu não tenho doença contagiosa.”. Se tivesse um buraco, ela teria enfiado a cara dela lá.
-E isso foi bom ou ruim?
-Eu, pessoalmente, gostei. Aliás, acho isso uma grande virtude.
-Por quê?
-Porque você, pelo menos, não finge ser o que é. Você, Hector, não é hipócrita. Mas, nem sempre devemos ser cem por cento verdadeiros.  Na maioria das vezes, ninguém gosta de escutar as verdades.
Desde que comecei a trabalhar naquela agência de publicidade, fui tratado como um intruso e tudo por causa da Leda. O Mike, por influência dela, me procurou e sem muitas delongas e disparou:
-Hector, você deve saber onde é o seu lugar, aqui na agência.
- Eu sei.
-Não, você não sabe.  Desde que começou a trabalhar aqui, você vem portando-se de uma maneira não muito apropriada para os padrões dessa firma, emitindo opiniões nas peças publicitárias.
-Sim, esse é o meu trabalho e pelo que fiquei sabendo, o Daryl gostou da minha iniciativa.
-É verdade, ele gostou muito. Porém, a Leda não ficou nada feliz com isso.
-Pelo que eu saiba, o Daryl é o dono dessa agência, portanto é ele quem dá a última palavra.
- Engano seu. Aqui, é a Leda quem dá as cartas.  Só para você ter ideia: o Daryl já teve dois sócios que foram afastados da agência, em virtude da perseguição direta dela. Um deles, inclusive, sofreu um AVC, por causa dessa perseguição. É assim que ela joga e quando se aborrece, joga pesado.
  Passaram-se alguns meses e o Mike veio até a minha mesa dizendo:
- Eu te disse: “Hector, faça o seu trabalho.”.  Você tinha que interferir na peça publicitária da Suzy!
-O que é que está havendo?
-O que está havendo? A Suzy fez a sua caveira para a Leda e o pior é que as duas são unha e carne. 
O mais surpreendente é que foi a própria Suzy quem pediu a minha ajuda e assim, eu fiz. Se não tomasse nenhuma iniciativa, seria tachado de preguiçoso. Confesso que, naquele momento, quase me deixei levar pela emoção e por pouco, não pedi as contas. Hoje, penso que seria a melhor coisa que eu deveria ter feito.   
A Leda apresentou uma campanha publicitária para os festejos de fim de ano e em seguida, falou:
- Estou aberta a sugestões e digo mais: a opinião de vocês é de suma importância para mim.
Depois que analisei tudo com calma, fiz as minhas considerações mostrando-lhe os pontos positivos e negativos daquela peça. Ela disse que gostou muito das minhas colocações e o Daryl, mais uma vez, estava de acordo com o que eu havia falado.
Encontrei o Mike no sanitário, que me falou:
-Eu te disse que quando a Leda se aborrece, termina jogando pesado. Esteja certo de que ela, de agora em diante, não vai te deixar em paz. 
Dito e feito: a partir daquele dia, ninguém, daquela agência, aprovou as minhas peças, além de não me chamarem para trabalhar em nenhuma campanha.
O Mike finalizou:
-Tudo aquilo que você disse, durante a reunião, mexeu com o brio dela. A verdade, muitas vezes, é dolorosa, por isso ninguém gosta de ouvi-la. Sobretudo, a Leda que tem um temperamento difícil e como se nada disso bastasse, ela não vai muito com sua cara, Hector.
Aquelas palavras fizeram-me recordar de tudo aquilo que você havia me dito, há sete anos atrás.