quinta-feira, 14 de abril de 2016

Conto- De Volta Ao Princípio

(Ao som de Por Enquanto)

Eric do Vale 

           

Fiquei fora de casa, por duas semanas: viajamos para comemorar os festejos de final de ano e quando voltamos, recebi um convite para passar as férias no interior. Naquela cidadezinha, eu me sentia um rei: estava totalmente desprendido de qualquer compromisso.
Quando voltei, definitivamente, para a casa, faltava uma semana para as aulas começarem. Naquele momento, era necessário retornar a realidade e, acima de tudo, encará-la: pouco antes de entrar de férias, eu já sabia que muita coisa iria mudar. No entanto, a ficha só caiu, naquele primeiro dia de aula.
Algumas pessoas que haviam estudado comigo, no ano anterior, também migraram para o período matutino. Aparentemente, aquilo era muito bom, mas não significava muita coisa para mim, porque eu não tinha por perto os meus amigos de outrora. Minto, havia sim um que integrava o meu ciclo de amizades, mas esse não estava na mesma sala que eu. Talvez, seja por isso que, no decorrer do semestre, fomos nos distanciando.   
Assim que comecei a estudar naquele colégio, fiz amizade com um garoto e os nossos laços foram se estreitando, durante todo aquele ano letivo. Conversávamos sempre sobre tudo e no recreio, não nos desgrudávamos. Esse meu amigo, no ano seguinte, mudaria de colégio. Pelo jeito, o nosso distanciamento seria inevitável.
Nunca me esqueci daquela frase dele, no último dia de aula, quando nos despedimos:
-Um dia, nós vamos nos encontrar.
Naquele mesmo dia, aconteceu outro fato marcante:  um colega de sala veio me dizer o seguinte:
-Me perdoe.
Por que estava me falando aquilo? Era verdade que, desde que comecei a estudar lá, ele não largava do meu pé, mas, pouco tempo depois, fomos nos entendendo. Nunca entendi direito o porquê dele ter me pedido desculpas. Para mim, tudo, naquele momento, já havia sido resolvido e eu, francamente, tinha me esquecido das nossas desavenças.
Ele também não estudaria mais naquele colégio, no próximo ano. E lá estava eu, naquela sala: iniciando um novo ano letivo com uma turma nova e, ao mesmo tempo, me lembrando de tudo aquilo.



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Conto- Acidente De Percurso

(Ao Som de O Nosso Amor a Gente Inventa)

Eric do Vale 

Eu não entendo e custo a acreditar: como foi que tudo aconteceu?
-Tem uma pessoa que acha que te conhece. _ Disse uma conhecida do meu trabalho. 
-Posso saber quem é?
Imediatamente, procurei o nome dela no Facebook e perguntei a essa minha colega:
-De onde ela me conhece?
-De alguma balada.
Não me lembro, se realmente, tínhamos nos visto, antes. Assim mesmo, mandei a solicitação de amizade para ela e não tardou muito para ser aceito.  Depois de teclarmos um pouco, trocamos telefonemas e marcamos um encontro em uma pizzaria. Continuamos nos falando até que, inexplicavelmente, terminamos nos afastando. Muito tempo depois, tornamos a sair até nos afastarmos definitivamente.  
Insistentemente, eu a procurava, mas nunca era correspondido. Às vezes, ela portava-se de uma maneira muito fria comigo e havia ocasiões em que nem me dirigia a palavra. E quando isso acontecia, era de forma monossilábica. 
Os nossos “diálogos” tornaram-se tempestivos era como se tudo tivesse ficado fora do lugar: “café sem açúcar, dança sem par”. Acredito que ela, assim como eu, não se sentia bem, sempre que “conversávamos”.
Lembro-me perfeitamente da última vez que dialogamos:
-Olha, eu sei que te magoei, algumas vezes._ Eu disse.  
-Algumas vezes? Você me magoou várias vezes, mas o que se há de fazer?  
Como eu queria que ela me falasse detalhadamente sobre isso. Várias vezes, ela tinha me falado disso e uma coisa sempre martelou na minha cabeça: por que, quando estávamos nos conhecendo, ela não me falou disso? Caso tivesse, antes, me dito aquilo, eu, certamente, procuraria me corrigir e, quem sabe, assim ela teria a chance de me conhecer melhor. Mas, como diz o Renato Russo: “A primeira vez é sempre a última chance”.
- Eu também fui muito grossa com você. _ Ela comentou.
Não me lembro disso ter acontecido e acrescentei:
-Quem sabe, possamos esquecer tudo isso?
-Esquecer?
-Passarmos uma borracha e recomeçarmos.
-Bem que eu gostaria, mas você, vez ou outra, termina enlouquecendo e me excluí.
A conversa terminou ali.
Como foi que as coisas chegaram naquele ponto? Gostaria que tudo voltasse ao que era e de preferência, no ponto inicial.
 No dia do aniversário dela, algum tempo depois, mandei-lhe uma mensagem desejando felicidades e pelo jeito, ela nem deu importância. Como é possível manter um contato com uma pessoa que sempre me ignora e além disso, não me faz bem?
Algum tempo depois, só por provocação, enviei-lhe uma frase que dizia o seguinte: “As pessoas não mudam, revelam-se”.  Contudo, recebi um aviso de que aquela mensagem não havia sido recebida. Tentei novamente, mas o resultado foi o mesmo. Será que ela me bloqueou? Deixa pra lá.


domingo, 10 de abril de 2016

Conto- Uma Pedra No Passado

Eric do Vale



“Andei pisando pelas ruas do passado
Criando calo no meu pé caminhador
(Cabelo No Pente: Alceu Valença& Vicente Barreto)

Eu me identifiquei, mas ela não se lembrava de mim e quis saber de onde eu a conhecia. Falei do local que costumávamos frequentar e ela perguntou:
-Quem era você?
Descrevi as minhas características físicas e mesmo assim, ela continuou não se lembrando da minha pessoa. Falei que tínhamos um amigo em comum: Ubiratan.
-Eu conheço, a esposa dele era muito minha amiga. _ Disse ela.
-E então, está lembrada de mim?
-Não.  
Eu não sabia mais o que dizer. Minto, sabia sim. Contudo, achava que não era a ocasião oportuna de lembrar daquilo. Pra quê? Já faz tanto tempo, que, certamente, ela não iria se lembrar. E mesmo que recordasse, não adiantaria de nada: eu, no momento, encontrava-me casado e ela também.
Naquela época, não passávamos de meros adolescentes. Eu a conheci por intermédio do Ubiratan e esse, pelo que sabia, já a namorou, antes. E como ela era solteira, resolvi investir. O Ubiratan já havia me advertido de que ela era muito namoradeira e por isso, tinha que tomar muito cuidado para não me iludir. Quem disse que lhe dei ouvidos? Vendo-a sozinha, caminhei em direção dela e me declarei. Quando fui beijá-la, ela virou o rosto e disse que não.
Voltamos a nos falar, alguns dias depois, e me desculpei dizendo:
-Lamento pelo papelão que fiz.
-Desencana, você não fez nada de extraordinário. É que eu...
Mudei de assunto e dali em diante, ficamos bons amigos.  Conversávamos todos os dias e era comum andarmos de mãos dadas e trocarmos carícias como beijo no rosto e abraços. Mas, um dia, não me lembro bem o que foi que houve e ela quando foi me beijar, mirou bem na minha boca. Foi nesse exato momento que o Ubiratan apareceu e veio conversar conosco. Logo depois que ele foi embora, ela falou:
-O Ubiratan deve ter pensado que eu fosse beijar a sua boca.
-Por que você diz isso?
-A maneira como ele estava olhando para nós dois.
Eu não falei nada e ela continuou:
-Não vejo problema nisso: com o meu último namorado, as minhas amigas davam selinho nele e eu nem me importava.
Aquilo era uma indireta? Ora bolas, foi ela mesma quem não quis nada comigo, portanto não dava para entender.  Aquilo não me saiu da cabeça e quando nos encontramos, conversamos um bocado até que não me contive e encostei os meus lábios nos dela.  
-Você! Eu não esperava. _ Disse ela meio sem jeito.
Ela continuava sem reação e então, sugeri darmos uma volta. Paramos em um local um pouco afastado e resolvi beijar-lhe novamente e ela correspondeu. Depois disso, nunca mais nos vimos e eu não sei dizer o porquê.
Depois do nosso reencontro, perguntei-lhe:
-Você não se lembrou mesmo de mim?
-Não.
Não fazia sentido relatar o que havia acontecido entre nós, no passado. E ela falou:
- Em vez de ficarmos querendo se lembrar do passado, o que me diz de iniciarmos a nossa amizade, nesse exato momento?
-Ótimo.    
E assim, aconteceu.  

         

sábado, 9 de abril de 2016

Conto- A Sete Chaves

Eric do Vale



Inacreditável! Aquela era a melhor palavra para classificar o que tinha acontecido, horas atrás. De banho tomado e totalmente vestido, ela falou:
- Irei depois de você. Por favor, vá embora.
Ela tirou da bolsa uma nota de dinheiro e me deu dizendo:
-Pegue um táxi.                              
Agora, provavelmente, deve ser três horas da tarde e assim que o meu irmão entrar por aquela porta, estranhará eu ainda estar de pijama e, com certeza, dará aqueles seus tradicionais sermões. Dito e feito, essa foi a primeira coisa que ele perguntou, assim que chegou em casa.
-Acordei tarde. _ Essa foi a desculpa que encontrei.
-Não acredito que você ficou dormindo até as 15 horas!
-Eu fui dormir a partir das seis da manhã, você sabe: essa minha insônia...
Fui até a firma onde o meu irmão trabalha a fim de pedir-lhe um dinheiro emprestado.
-Eu, por um acaso, tenho cara de banco?
Eu sabia que ele iria dizer aquilo. Reconheço que o meu irmão tem razão suficiente para se impacientar comigo, mas fazer o quê? Lamento não ter, ainda, conseguido ganhar na loteria, assim como não ter nascido em berço de ouro.
Quem era aquela mulher? Apesar de ser coroa, colocava qualquer menininha no chinelo. De acordo com o recepcionista, ela, abaixo do sócio majoritário, era a manda- chuva do pedaço. Não demorou muito para que eu ficasse sabendo que além de rica e bonita, aquele mulherão também era solteira. Joguei verde com o meu irmão:
-Quem é aquela mulher lá do seu trabalho?
Ao descrevê-la fisicamente, ele foi na mosca:
-Você está se referindo a diretora-presidente?
Ele me falou o nome dela e salientou:
-Pense em uma mulher insuportável.
Notei, naquele momento, um sentimento de repulsa mesclado com medo, quando o meu irmão começou a falar dela:
-Acho que, talvez, seja por isso, que ela continua encalhada?
-Ela é solteira? _ Dissimulei.   
-Homem nenhum aguentaria dividir o mesmo teto com ela. Digo isso, porque ninguém do trabalho consegue ficar perto dela, por alguns segundos. 
Lá estava ela em uma mesa almoçando com os executivos, eu me encontrava do outro lado tomando o meu uísque sem tirar os olhos dela. Percebendo a minha investida, ficou me encarando. Visto que o pessoal que a acompanhava tinha saído, não perdi tempo e fui até lá. Mal me acomodei, ela foi direta:
-Qual é a sua?
-A minha?
-Sei quem você é.
-Sabe?
-O seu irmão trabalha na firma em que sou diretora-presidente. Por sinal, ele é um profissional muito competente, é muito difícil, nos dias de hoje, encontrar alguém com o potencial dele e não me refiro apenas como profissional, mas também como pessoa. Ao contrário de você...
-Ao contrário de mim?
-Eu puxei a sua fixa.
Fiquei sem ação e ela continuou:
- Pensa que eu não notei as suas investidas sobre mim? Qual é a sua?
Eu não estava esperando aquilo.
-Te fiz uma pergunta, por que não me responde? Vamos, rapaz. Me diga: qual é o seu interesse por mim? _ Ela insistiu.
-Você... Digo, a senhora... É muito bonita.
Naquele momento, eu me senti como uma criança quando é pega fazendo uma coisa errada. Aproveitando-se da minha inercia, ela deu o golpe de misericórdia:
- Preste atenção no que vou te dizer: se, por um caso, surgir, seja dentro ou fora da empresa, algum boato sobre nós dois, cabeças vão rolar. E o maior prejudicado nisso vai ser o seu irmão. Portanto, peço que você pense muito bem no que vai dizer, depois que sair daqui.
-O que é isso?! No que depender de mim, o meu irmão permanecerá naquela firma, por muito tempo.
-Assim é que eu gosto.
Em seguida, ela chamou o garçom e pediu a conta.
-Mas, a senhora já pagou. _ Falou o garçom.
-É a conta dele._ Apontando para mim.
-Mas, eu pretendia ficar aqui..._ Falei.
Ela não me deu ouvidos, pagou a minha conta e disse:
-Vamos?
Eu me levantei todo desconcertado e ao sairmos, ela perguntou:
-Não vai me acompanhar?
Confesso que não estava entendendo nada, mesmo assim fiz o que ela pediu. Entrei no carro dela e no meio do trajeto, ela falou:
-Sem perguntas, entendeu?
Chegamos ao apartamento dela e continuava sem entender nada. Naquela hora, lembrei-me das palavras do meu irmão: “. Eu, no seu lugar, teria vergonha de viver às custas dos outros!”.  Ela pediu que eu ficasse a vontade e falou:
- Bebe alguma coisa?
-Um uísque.                        
-Sirva-se a vontade. Com licença. _ Saindo.
Ela deve ter ido para o quarto e eu tomei um cowboy. Andei de um lado e para o outro perguntando-me: “Por que fui me meter naquilo?”. Dentro do táxi, recordei dos tempos de adolescente: o meu irmão com a cara nos livros, enquanto eu... Só Deus sabe o quanto ele pelejou para conseguir uma vaga naquela firma, quando ainda era universitário. O que será que ela queria comigo? Ao sair do quarto vestindo um roupão, ela pegou uma taça de Martini, sentou-se no sofá e cruzou as pernas, várias vezes.
-Você está tão tenso, relaxa! _ Disse ela.
Ela me desmontou, aquilo nunca tinha acontecido comigo, antes. Perto de pegar no sono, pensei como foi difícil para o meu irmão ter chegado no patamar, onde, atualmente, se encontra. Portanto, não seria justo ele despencar por minha causa.
-  A gente vai se ver, novamente? _ Perguntei, assim que nos despedimos.
 -Não sei. Sem perguntas, certo? Lembre-se do que conversamos, no restaurante, sobre o seu irmão.
O meu irmão foi até a cozinha pegar um copo com água e quando voltou, disse:
-Insônia, eu sei bem o que é isso. _ Ironizando. - Você não tem jeito, é um caso perdido. _ Disse ele.
Ah, se o meu irmão soubesse!



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Conto- Monopólio

Eric do Vale


-Você está bem humorado, ultimamente.
-Estou feliz.
-Posso saber por quê?
-Por te ver.
-Só por isso?
--Sim.
-Não acredito.
-Por quê?
- Depois do nosso último encontro...
-Não perdi a esperança.
- Eu já te disse que não dá...Entre nós...
-Quem sabe, um dia?
-Não conte com isso.
-Quer saber?  Eu ainda nutro esperanças de que, algum dia, possamos, quem sabe, até nos casar.
            -Casar?
            -Sim.
            -Essa é a última coisa que passa pela minha cabeça e você bem sabe que com relação a isso, eu...
            - Sei muito bem disso. _ Interrompendo. - Mas, tudo é possível.
            - Não para mim.
            -Por quê?
            -Você sabe por que. Falando nisso, quero te pedir desculpas pela forma grosseira como te tratei, no nosso último encontro. E sabe de uma coisa? Eu não acredito que depois disso, você não arranjou ninguém.
-Acredite.
-Quanta devoção, puxa!
-Isso, no entanto, não significa que você seja a última mulher do mundo. Se não for com você, serei feliz com outra.
-Não conte com isso.
- Qual é a sua? Você não quer nada comigo e não aceita que eu me envolva com outra mulher, não dá para entender!
-Não gosto de perder.
- Continuaremos bons amigos, como sempre fomos.
-Então, é verdade? Você arranjou alguém.
-E se eu disser que sim, o que pretende fazer?
-Por enquanto, nada. 



domingo, 3 de abril de 2016

Conto- O Começo Do Fim

Eric do Vale



Aquilo não passava de um sonho mesmo! Há mais de dois meses que papai havia deixado de morar conosco. Trinta dias depois de ter nos visitado, vovó tinha sido hospitalizada. Por isso, mamãe viajou para vê-la.   Meus Deus, como tudo foi tão rápido! Foram necessários muitos anos para que a ficha caísse.
 Dois dias antes de viajarmos, mamãe me falou que papai é quem passaria a me levar ao dentista. Desde junho, mamãe e eu estávamos contando nos dedos o dia em que iríamos viajar para visitar vovó e os demais parentes que lá residiam. Assim que regressamos, já estávamos em um outro ano. Aliás, uma outra década.  
Papai passou a ficar menos tempo em casa, viajando com frequência para o interior a fim de conferir o andamento de um sitio que estava construindo até se estabelecer por lá.
Aluguei o mesmo filme de sempre. A última vez que isso aconteceu, faltavam quatro dias para viajar com mamãe. E quando voltamos, nunca mais encontrei aquele filme na locadora, por quê?  Não sei, nunca entendi e, talvez, jamais compreenda direito.
Agora, eu o havia reencontrado e fui para a casa com o sorriso até as orelhas. Mostrei o filme para papai que também sorriu e perguntei:
-Vamos assistir?
-Mas é claro!
Como eu gostaria que aquilo realmente tivesse acontecido, assim como queria ouvir que vovó estava bem.  No entanto, era preciso encarar a realidade. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Conto- Lixo Afetivo

Eric do Vale


           Acidentes acontecem e bem que eu gostaria que isso acontecesse, mas... Além de me faltar coragem, sou incapaz de fazer mal a uma mosca e você bem sabe disso. Nestas horas, invejo aqueles que, diante de um ímpeto, dão cabo na vida de alguém, isso até me faz lembrar um comentário de alguém que, uma vez, me disse: “Você pensa demais.”.
Nessa vida, é preciso pensar em tudo, por isso eu me pergunto: o que ganharia matando você? Para cometer um crime é necessário que tudo seja milimetricamente arquitetado. No entanto, você e eu, juntamente com os demais, sabemos que não há crime perfeito. 
Cedo ou tarde, a polícia descobrira os meus vestígios e então, pegaria uma cadeia brava. Apesar de ser réu primário e com bons antecedentes, o meu ato poderia ser considerado hediondo e depois, constaria que matei você à toa.
 Novamente, eu me pergunto:  o que é que eu ganharia com tal atitude? Partindo desse pressuposto, levo a crer que não faria feio, se as forças armadas me requisitasse como estrategista militar. Em contrapartida, eu seria uma vergonha, levando-se em conta o meu excesso de humanismo.
Várias vezes, diante do espelho, ensaiei dizer tudo isso que estou dizendo, agora. Mas, na hora H, bati em retirada, por quê? Medo, essa é a única razão que achei conveniente para utilizá-la como justificativa. Talvez, eu tenha uma resposta para isso em forma de pergunta: a troco de que eu iria me sujar à toa?  Tenho me feito essa pergunta, sempre.
Confesso que, muitas vezes, de longe acompanhei os seus passos na iminência de, quem sabe, colocar em prática o meu objetivo, mas a razão terminava falando mais alto. Por isso, chego à conclusão de que se existe alguém que, nessas condições, deve sair de cena, então sou eu. Só não sei como.