quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Conto- Um Telhado De Vidro


Eric do Vale   

Alguma coisa explodiu, partindo em cacos.
                                           A partir de então, tudo ainda ficou
mais complicado. E mais real.
(Caio Fernando Abreu: Transformações)


Bastava à diretora antipatizar para, logo em seguida, fornecer um “bilhete azul’ a quem quer que fosse: mestres, alunos e funcionários. Desse modo, tenho certeza de que armaram uma boa com aquele professor. Assim que ouviu esse meu comentário, alguém que estudou comigo, nesse período, divergiu:
-Cá pra nós, ele sempre foi metido a D. Juan.
-Por isso mesmo. A diretora nunca foi, nem um pouco, com a cara dele, portanto ela poderia tê-lo colocado para correr de lá, há muito tempo. Só que esperou o momento oportuno para degolá-lo e da maneira mais vil.
Pouco antes de me tornar aluno dele, já sabia por alto quem ele era, pois a sua fama percorria todo aquele colégio. Era “Deus no céu e ele na terra” e, de preferência, sobre um pedestal! Comumente, ele expressava o seu ponto de vista, durante as aulas, sempre fincado em princípios éticos e morais. O seu poder de persuasão fazia que os alunos o superestimasse cada vez mais.
Qualquer possibilidade em colocá-lo no olho da rua era sempre descartada pela diretora, pois ela sabia perfeitamente que tal atitude desencadearia uma grande guerra naquele colégio. Seria mais fácil ocorrer o contrário, mas aquela situação logo se inverteria.
Antes que fosse cogitado promover um levante em prol de sua permanência no colégio, todo mundo já estava a par do real motivo que culminou com a sua demissão: um envolvimento amoroso dele com uma aluna que, por sinal, não foi à única seduzida por ele, conforme tomei conhecimento, depois.

Era inacreditável! Logo ele que tanto se orgulhava em falar, aos quatro ventos, do seu sólido e feliz casamento. A veneração que todos tinham pela sua pessoa ruiu feito um castelo de cartas, assim que a verdade veio à tona.



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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Artigo- * Qual É O Seu Partido?

Eric do Vale


Pelas mais variadas razões, cumprimos, bienalmente, o dever cívico de eleger aqueles que hão de ocupar uma vaga nos poderes executivo e legislativo, entretanto terminamos por esquecer um detalhe de suma importância: a filiação partidária de tais candidatos.

Alguém já teve, pelo menos uma vez, o obséquio de conhecer o partido do seu candidato e dos adversários desse? Procuraram saber em quais fundamentos essas agremiações partidárias foram concebidas? E se as plataformas de governo desses candidatos vão ao encontro às dos partidos em que estão engajados?

Seria muito fácil admitir que a escassez de consciência partidária no Brasil decorre de uma suposta “ignorância” do nosso povo, se essa responsabilidade também não fosse atribuída aos políticos.

A fidelidade partidária no Brasil é algo que, ultimamente, vem rareando, devido à constante troca de partidos que deixou de ser corriqueira, convertendo-se para a banalidade, sem falar na inversão de valores ideológicos que muitas destas facções vêm demonstrando, uma vez que possibilitamos a chegada destes ao poder.

Por isso, é importante que, no bojo das eleições, o eleitor faça valer os seus direitos de cidadão não se limitando apenas a votar por uma questão de obrigatoriedade, como vem sendo nos últimos tempos.


* publicado no dia 3 de setembro de 2014 no Jornal O Povo

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Conto- Um Passo Ao Retrocesso

Eric do Vale

Puxar o gatilho era a única coisa que, agora, eu pensava em fazer, antes de tomar a primeira dose de conhaque em um bar, situado a dois quarteirões da minha casa. Não me lembro de tê-la ouvido antes e acho que nem a conhecia, mas o refrão dessa música do Cazuza não saía da cabeça: “Você se parece com todo mundo. Eu te amei demais e sofri pra burro”.
                Tomei o maior cuidado para não cometer uma barbeiragem no trânsito. Não era de hoje que eu havia me comprometido em esquecê-la, deletando tudo o que estivesse vinculado a pessoa dela: fotos, números de telefones e sites de relacionamentos. Cheguei até a me afastar de várias pessoas que tivessem alguma ligação com ela, feito aquela vez em que eu me encontrava no shopping e busquei, de todas as formas, não passar perto de um quiosque, onde trabalhava um amigo íntimo dela.
                O final da canção dizia: “Eu te amei demais e fiquei maluco. Eu fiquei maluco por você”. Logo, me questionei: “Onde foi que eu errei?”. Será que eu fiquei louco? Claro que não, pois se estivesse, já teria feito uma besteira, há muito tempo. Passados, praticamente, dois anos, tudo isso voltou à tona assim, sem mais nem menos!
Mergulhei de cabeça no trabalho e, para a minha felicidade, fui aprovado em um concurso que prestei. Não poderia haver, naquele momento, coisa melhor, pois iria residir em outro estado, bem longe dali.

Desde que rompemos, prometi a mim mesmo não procurá-la mais e, se não fosse essa música, tudo continuaria do jeito que estava. Estacionei o carro, fui até um bar e pedi um conhaque duplo. Todos os momentos que passamos juntos foram recordados, conforme a letra da canção permeava em meu inconsciente. Após a segunda dose, peguei o celular e acessei uma rede social. Coloquei o nome dela e a encontrei, bem na mosca! E agora, o que fazer? Eu não sei. Apesar de já haver passado tanto tempo, ainda não me sentia bem! Desconectei, paguei a conta e fui para casa. Tomei um banho gelado e pensei em mandar uma cordial mensagem e assim o fiz: “Olá! Como você vai? Quanto tempo, não é? Eu vou muito bem, estou morando em outro estado, não sei se você sabe disso. Creio que não, acho que também não sabe que passei em um concurso. Não sei bem o que me deu, mas hoje eu escutei uma canção que me fez lembrar você e, por isso, estou dando-lhe notícias. A propósito, segue abaixo o link da música e peço, encarecidamente, que ouça, pois como eu lhe disse: ela me fez lembrar muito você. Abraços!”. Estava tudo engatilhado e, aparentemente, me senti de alma lavada, mas, hora H, optei em recuar e apaguei tudo.



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quarta-feira, 23 de julho de 2014

sábado, 19 de julho de 2014

Conto- No Fio Da Navalha


Eric do Vale

Perdi a conta das vezes em que assisti ao filme Platoon e, agora, vejo a primeira cena, em que os novatos desembarcam na base aérea do Vietnã e me coloco na pele do protagonista.  A quantidade de candidatos muito diferiu dos demais concursos que prestei: um milhão e cacetada. Nossa Senhora! Sei que não há cabimento comparar uma guerra vivenciada com outra retratada num filme, mas, nesse momento, acomodado em minha poltrona, vejo o pelotão marchando rumo ao campo de batalha e concluo que a busca por um emprego público muito se assemelha a uma guerra.
Qualquer possibilidade de recuar, naquela infernal tarde de domingo, tornava-se nula, cada vez que eu e os outros candidatos avançávamos um passo em direção à sala, onde faríamos a prova. Peguei o celular assim que acordei, e vi uma mensagem: “Olá”. Era um colega dos tempos de faculdade. Como fazia algum tempo que não mantínhamos contato, achei estranho. Mesmo assim, respondi com um cordial “Olá! Como vai?”. Ele só me respondeu depois de algumas horas, quando eu já me encontrava de saída: “Estava voltando da balada, quando teclei com você.”. Mas que filho da mãe!
Aquilo pairou sobre a minha cabeça junto com o sol escaldante, na medida em que eu me dirigia para a sala. Poderia muito bem considerar isso como uma galhofa ou, quem sabe, uma espécie de tortura psicológica, mas obviamente, ele não fazia ideia do que eu, ultimamente, vinha atravessando.
Um antigo colega de trabalho me informou, durante um encontro casual, não haver mais nenhum conhecido na empresa, onde trabalhei. Inclusive ele, que foi mandado embora, há mais de dois meses. Logo, optei em mergulhar de cabeça na caçada por estabilidade profissional, porque não me considerava um macaco para viver assim: “pulando de galho em galho”.  
Quatro horas de prova não é para qualquer um! Na altura daquele campeonato, eu só pensava em ir para a casa, tomar um banho e dormir. Desde que enveredei por esse caminho, aprendi que todo concurseiro deve possuir uma mentalidade de atleta: terminado um torneio, é preciso pensar no seguinte.
 Uma semana depois, lá estava eu naquele mesmo local, dessa vez no turno da manhã, para enfrentar outro concurso. Honestamente, gostei mais dessa prova do que a anterior, todavia, para a minha surpresa, o resultado foi totalmente o inverso.


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