domingo, 13 de setembro de 2015

Conto- Colcha de Retalhos

Eric do Vale


Uma, duas, três e quantas vezes achar necessário, vou continuar ligando.  Eu tinha a absoluta certeza de que o número era esse. Agora, vendo o WhatsApp, não tenho mais dúvida. Preciso saber quem realmente é. Não sou detetive, mas quero desvendar isso. Ligo de novo e cai na caixa postal. E assim tem sido, desde então. Vou continuar persistindo ou não me chamo...
...
É esta! Ela faz o meu tipo: olhos e cabelos castanhos, além de uma pele bem clara. Trezentos reais é muito dinheiro, mas e daí? Com uma mulher dessa, gasto até o que não tenho.  Se eu fosse um milionário, ela seria de minha exclusividade. Não fazem nem um ano que estou separado, mas para mim é uma eternidade. As coisas já não estavam boas e quando a minha ex-mulher resolveu se converter, pioraram cada vez mais. Sempre que eu manifestava o desejo da carne, lá vinha ela citando trechos da bíblia.
-Quer dizer que quando tivermos vontade de ir ao banheiro, teremos que consultar a bíblia. _ Eu falava.  
-Bata na boca, homem. “Senhor, perdoe. Ele não sabe o que diz”.
            Desde que me separei, tenho procurado suprir as minhas necessidades com essas mulheres. Qual o problema? O dinheiro é meu, assim como a vida é minha.  Agora, eu quero essa e gastarei os meus trezentos com o maior prazer.   Teclo com ela, mas não sou correspondido. Deixo passar alguns dias e então, me convenço de que não vai dar certo.     
...

-Alô
-Samara?
-Sim?
- Como é o seu trabalho?
-Cem reais.
-Tudo?
-Depende.
-Samara é o seu nome?
- Na verdade, o meu verdadeiro nome é ...

...
Mostrei a foto dela para o Zé.
-Que monumento! _ Falou ele.
-É esquema meu.
-Certo, mas quando você enjoar, passa ela para mim?
- Feito.
Esse Zé é mala! Bastou eu mostrar uma foto de uma dona, para, logo em seguida, o filho da mãe entrar em contato com ela. Para ser honesto, nem sei se, realmente, ele saiu com a dona e quer saber? Pouco me importa.
Agora, o que me intriga é o que a moça com quem eu quero sair postou no status dela, no   WhatsApp: “So atendo tops para falar comigo diretamente eso me lugar e mais rápido!”. Que erro de português grotesco!

...
-Alô, caiu a ligação. Mas, como perguntei, anteriormente:  quer dizer que você se chama... E o que faz da vida?
-Você me conhece.
-Não.
-Conhece sim, por que está me fazendo estas perguntas?
-Curiosidade.
-Posso saber o porquê dessa curiosidade?
- Por nada. A propósito, tenho que desligar. Sou casado, você entende?
-Entendo.

...
Era uma voz de mulher e tenho certeza disso, porque, assim que atendeu, eu perguntei:
-Carol?
-Sou eu.
-Como funciona?
-Funciona o quê?
-O esquema.
- Que esquema?
-O meu nome é Artur e li o seu nome em um anuncio.
-Que anuncio.
Estava prestes a dizer, quando a ligação caiu.
 
...
Marquei com ela e furei. Tenho certeza de que isso a deixou fula da vida. Pudera, eu também ficaria. Teclo com ela, mas não me responde. Espero um pouco e insisto em vão. Algo me diz que isso não passa de uma roubada:
-Zé, liga para este número, por favor?
-Pode deixar.

...
-Alô?
-Carol?
-Olha aqui, é a quinta vez que você está me ligando e não tem nenhuma Carol, o meu nome é Júlio, Júlio! 
Não vou desistir, sei que é ela e por isso, vou continuar ligando.
...
Sabia que isso não passava de uma pilantragem. Onde já se viu atender “cliente top” e cometer um erro de português tão absurdo? Peço para o Zé deixar para lá e quer saber do que mais? Ainda bem que tenho uma outra carta na manga! 








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Conto- Intransigência

Eric do Vale

Posso até consentir que a esposa e as filhas frequentem a minha casa, mas ele não. Já deixei isso bem claro para a Marta que apesar de ser tia dele, sabe, melhor do que ninguém, que tenho as minhas razões para não aceita-lo em minha residência. Como é possível receber uma pessoa que não fala comigo e faz questão de transparecer total aversão que sente por mim, negando-me até um “olá”? Sem esquecer da vez em que me recebeu com quatro pedras na mão, quando fui à casa dele na companhia da Marta:
-Por que a senhora trouxe esta fulana, tia? Eu já não lhe falei que não quero saber dela aqui, na minha casa? _ Disse ele.
-Eu só vim porque a Mata me pediu. _ Falei.
- Não estou falando com você.
-E se te conforta saber, eu, por mim, nem colocaria os meus pés aqui.
-Cale a boca, sua... Vá embora daqui! _ Alterando a voz.
Ele continuou me xingando e eu já estava preparada para enfiar a mão nacara dele, quando a Marta interviu:
-Se ela sair, eu também saio e não volto nunca mais.
-Então, saiam as duas!
 Assim que saímos, falei para a Marta que estava decidida a dar parte dele. Ela, no entanto, pediu, por tudo que fosse mais sagrado, para não fazer aquilo.  Contra a minha vontade, acatei o pedido dela.
Se ele não gosta de mim pelo que sou, eu também não vou, nem um pouco, com a cara dele e pelo mesmo motivo. Porém, sou o que sou e, graças a Deus, não vivo as custas dos outros achando que todo mundo tem obrigação de me sustentar.
A Marta me falou que, outro dia, ele veio com esta:      
-Tia, eu não sei o que está acontecendo comigo, não tenho vontade de trabalhar. Será que isso é preguiça?
-Você ainda tem dúvida?
Ao saber que todos tinham ido almoçar fora para comemorar o dia das mães e ele não havia sido convidado, bateu o pé:
-Isso não é justo! Eu tinha dinheiro para pagar a minha conta! Como é que vocês fazem isso comigo?
             E assim, tem sido em todas as reuniões de família.
            Dia desses, A Marta e eu fomos a casa da mãe dela e ele estava lá. Não trocamos nenhuma palavra, pra variar. Sentei-me no sofá e esperei a Marta voltar da padaria. Ele foi para a cozinha, quando uma das filhas dele sentou-se ao meu lado e começou a brincar comigo batendo o ombro dela no meu. Isso foi acontecer justamente no momento em que ele chegou e ao ver aquilo, fez um olhar inquisitório. Pensei: “Vai sobrar pra mim”.    Altivamente, ele chamou pela filha dizendo:
-Venha cá.
Mal se levantou, ele a puxou pelo braço até o corredor e disse-lhe umas coisas que não consegui entender e em seguida, deu-lhe um tapa no rosto. Mesmo ciente de que a minha intervenção resultaria em uma briga feia, eu não me contentaria em assistir aquilo de braços cruzados.  A irmã dele, no entanto, foi quem tomou a iniciativa
-O que é isso? Pra que essa brutalidade?
-Não é da sua conta. Isso aqui é assunto de pai e filha. 
-Vá embora daqui.
-Não vou, essa casa é da minha avó.
-Mas, eu também moro aqui.
-Agora é que eu não vou embora mesmo. Quem é que ai me tirar daqui?
A Marta chegou nesse momento e eu, discretamente, falei:

-Não se meta nisso.  




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sábado, 5 de setembro de 2015

Conto- Preto No Branco


Eric do Vale

“E vamos nós de novo
Vamos na gangorra
No meio da zorra desse
Desse vai –e- vem.”
(Abre-te Sésamo: Raul Seixas & Claudio Roberto)



O meu salário não foi depositado! Desço para o meu andar, após assinar o ponto, e o Severo, vendo-me chegar, vem em minha direção e me mostra a programação do dia: aula no laboratório, a partir das 13:40. Abro a prateleira e coloco, em ordem crescente, todas as chaves de cada armário. Olho para a parede e constato: “Pelo jeito, o meu pedido não foi acatado.”.  Vieram, ontem, colocar o flanelógrafo e tiraram o relógio. Eles me garantiram que, ainda ontem, o recolocariam. Foi preciso que eu passasse, duas vezes, um rádio para o seu Oliveira e terminei ouvindo desaforo desse velho.  Sexta-feira, penúltimo dia do mês, e o meu salário não foi depositado! P... Q... P!  Severo passa um rádio para o seu Oliveira e esse diz que, dentro de dez minutos, estará aqui, acho bom! As chaves estão colocadas e agora, é esperar os alunos chegarem. Aqui, nesse andar, não há muito movimento e estou certo de que, mais tarde, me coloquem para ajudar alguém.  Acesso à internet e entro em contato com o Douglas que está ausente, em virtude de um problema no joelho. Tenho para mim que isso não passa de H, pois ele é cheio de armação.  Um dia, o Douglas veio me dizer que ficou com uma moça da faxina, nas escadas. Fingi que acreditei, pois eu não nasci ontem e sei que se isso tivesse acontecido, ele rodaria bonitinho. Sem falar que essas moças da limpeza são umas chaves de cadeia. Falo sobre as mudanças que ocorreram, ante- ontem, no nosso setor e o Douglas custa a acreditar. Mas, infelizmente, eu não estou brincando e nem haveria motivo para brincar com uma coisa dessa. Agora, é todo mundo chegando dez minutos mais cedo, com direito a uma hora e meia de intervalo, e saindo dez minutos mais tarde. É fogo! A Clarice pediu para que todos os recepcionista comparecessem a sala dela, pois tinha um comunicado de suma importância para os funcionários da recepção. Pensei: “Lá vem bronca”. Não deu outra. Ninguém se manifestou, exceto o Hudson que fez questão de expressar tamanho descontentamento e terminou ouvindo o que não queria:
-Não posso fazer nada, a mudança já está feita. _ Falou Clarice.
Tenho para mim que, dessa vez, ele se lascou. O Hudson não tem jeito mesmo! Cansei de dizer:
-Hudson, as coisas não são assim. Segura a sua onda, rapaz.
-Eu não quero saber e se quiserem me mandar embora, podem me mandar.
-Emprego está difícil, a sua namorada que não deixa mentir: ela foi demitida em dezembro e até agora, encontra-se desempregada.
Pelo menos, o Hudson foi verdadeiro. Ao contrário de muita gente, ali presente, que saiu da sala da Clarice soltando os cachorros nela. Traíras! Aqui, nesse estabelecimento, está infestado de gente assim. Eu também achei ruim, mas fazer o quê? Em todo ambiente de trabalho, as coisas funcionam da seguinte forma: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Neguinho pensa que pode deitar e rolar, só porque trabalha aqui, há bastante tempo. Por isso: “O justo paga pelo pecador”.   Se o seu Oliveira, vier, de novo, com grosseria para o meu lado, vai ter troco. Por que o meu salário não foi depositado? Pelo jeito, o esquema que marquei, nesse sábado, com a gata foi para o brejo. Droga! O Severo vem me informar que comunicou a nossa supervisora de que a lista de presença e os relatórios estão vindo de forma avulsa. Durante as férias, havia uma centena de pastas e sei disso, porque fui eu mesmo quem as recebi. Não sei que fim levaram essas pastas. Eu só quero ver, no dia em que perderem esses documentos e pelo andar da carruagem, não está muito longe de acontecer. Verifico, na agenda, que a aula ocorrerá ás 15: 40. Eu não li direito e terminei me adiantando, era só o que me faltava! Melhor assim, já está tudo montando e quando os alunos chegarem, não terei o trabalho de me “levantar, abrir o armário e entregar a chave”. Hoje, o Lucivan não me escapa. Emprestei dinheiro para esse xibungo e nada de me pagar. Engraçado, na hora de vir me pedir, não teve vergonha nenhuma e disse que estava “passando por necessidades”. Eu sabia que seria roubada, mas emprestei assim mesmo. Torno a acessar a internet. Esse Douglas é muito feio e se acha o gostosão, vive falando que pega a mulherada, mas eu tenho as minhas dúvidas. Dezenove anos recém completados e se acha o bichão. Ainda tem muito o que aprender.  Em dia de aula, é um burburinho daqueles! Principalmente, na hora da saída: aluno jogando a chave na mesa e, as vezes, acabam levando-as meio que sem querer. Se a gente não for atrás, a bronca come para o nosso lado. Já aconteceu de uma aluna não devolver a chave e eu pedir para uma colega dela de informá-la e fui bem claro:
-Se você encontrá-la, diga-lhe que, por favor, venha devolver, ainda hoje. Se não, ela vai pagar uma multa de...
Não deu meia hora para que ela viesse aqui com a chave na mão, pedindo mil desculpas. Outro dia, telefonei para um aluno que não devolveu a chave e esse falou:
-Agora, estou no ponto de ônibus. Posso entregar amanhã?
-Sim, mas fique sabendo que você terá que pagar uma multa. São ordens da instituição.
Menos de cinco minutos, ele estava aqui todo esbaforido.  Quando se mexe no bolso, a situação muda de vez. Tem aluno que é mala! Porém, eles, querendo ou não, são os nossos patrões. E o que dizer dos professores? A primeira coisa que nos orientam, quando iniciamos as nossas atividades, é falar com eles apenas o essencial. O esquema funciona da seguinte maneira:  o professor chegou, entrega a lista de presença e, sem que ele perceba, anotar, no relatório de ocorrências, o horário em que entrou na sala.  Terminada a aula, anotar a hora em que saiu, receber a lista e verificar se está assinada. Perdi a conta das vezes em que corri atrás dos professores para assinarem esse documento. Se não fizesse, a coisa ficaria feia para o meu lado. Estava marcada, a tarde, uma aula com o doutor Zaidan, médico renomado e o suprassumo da chatice. Os alunos já se encontravam dentro do laboratório, mas ele ainda não havia chegado e pensei no pior. Fui até o andar superior, onde ele estava lecionando, e perguntei a recepcionista de lá:
-O doutor Zaidan continua dando aula?     
-Não. E pelo jeito, ele está uma fera. Chegou aqui soltando fumaça pelas narinas e disse que vocês iam ouvir poucas e boas.
-Nós quem?
-Você e o seu parceiro.
-Por quê?
-Porque vocês estavam regulando o horário dele.
Desci as escadas pensando: “Vou matar o Severo”.  Logo que o vi, contei-lhe o que havia acontecido e mesmo dizendo que não fez nada, eu falei:
- É a sua palavra contra a dele. Os professores são intocáveis e esse, principalmente. O doutor Zaidan não é brinquedo, teve gente, aqui na universidade, que já foi mandada embora, por causa dele. Nessas alturas, ele deve ter ido lá para o décimo quinto andar e, provavelmente, foi fazer queixa da gente para a Barbara. Desde já, quero te dizer que a Barbara não é igual Clarice.
O doutor Zaidan chegou, nesse momento. Entregamos a lista de presença para ele, que se dirigiu ao laboratório sem dizer nada e tal postura foi a mesma, após a aula. Acredito que essa história tenha ficado por isso mesmo, assim espero. No mês passado, o meu salário foi, antecipadamente, depositado. Agora, eu não compreendo isso. Por que o meu dinheiro não caiu, hoje? Porcaria de salário, droga de emprego! Como vou explicar isso para a gata? O Lucivan, quando começou a trabalhar aqui, era a descrição em pessoa até se revelar, de vez, uma boneca. Já houve quem reclamasse dele para a direção, porque se sentiram assediados por ele, até os alunos.   Além disso, a fama de velhaco desse perobo corre solta, aqui na faculdade. Mas, comigo não. Apesar de ter começado recentemente, Severo vem demonstrando muita eficiência. É claro que, ele, de vez em quando, precisa de umas orientações, mas, pelo menos, tem boa vontade. Dia desses fui encarregado de arrumar o auditório e depois de ter trabalhado arduamente, me sentei e pedi, delicadamente, a Manoela que me servisse um cafezinho. Essa se fez de desentendida, mas, para a minha surpresa, a Clarice viu tudo e falou:
-   Eu não acredito nisso, Manoela! O que é que custa fazer um favor para alguém? Ele está sempre disposto a ajudar todo mundo, aqui na instituição.
A própria Clarice foi quem me serviu e a Manoela ficou com cara de tacho. Bem feito! Logo ela, que se diz tão religiosa. Já viu religião definir o caráter de alguém? É por isso que eu não tenho religião nenhuma. Estou certo de que isso contribuiu mais ainda para que as bocas pequenas especulassem que eu sou protegido da Clarice. Aqueles que pensam assim, aconselho a irem até a sala dela e dizerem isso para ela. O seu Oliveira está muito assoberbado, pois, a toda hora, é requisitado. Vendo por esse ângulo, eu compreendo o estresse dele. Os alunos começam a chegar e o Severo vai entregando a chave para cada um, na proporção em que esses preenchem os seus dados na lista de assinatura.  Comecei trabalhando no décimo quinto andar e fui, durante o estágio probatório, transferido para o quarto andar, onde o Hudson foi o meu parceiro. Lá, eu aprendi muita coisa e estabeleci uma boa relação com os alunos e professores. Um dia, a Clarice convocou uma reunião e chamou todos os recepcionistas, exceto o Hudson e eu. Pensamos no pior e de repente, fomos informados de que ela havia mudado todo mundo de andar, exceto nós dois.
O professor chega e diz que a aula vai ocorrer em outro andar. Os alunos abrem os armários, pegam os seus pertences e devolvem as chaves. Vejo o seu Oliveira chegando e começa a colocar a mão na massa. Conto os minutos para o meu intervalo e só penso, agora, em ir procurar o Lucivan. Terei o maior prazer de colocar aquela borboleta para voar. Quando eu voltar do intervalo, o Severo vai embora e ficarei aqui até as vinte e duas e dez. Tenho certeza de que, logo mais, vão precisar de mim. Só espero não ir para o décimo quinto, pois lá o pessoal só quer “venha nós”.   


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sábado, 22 de agosto de 2015

Conto- Qual É A Sua?

                                                                                      Eric do Vale



Sempre puxava assunto comigo querendo saber sobre a minha cidade, alegando ter uma amigo que também residia aqui. Eu sabia perfeitamente qual era a finalidade daquele diálogo, por isso desconversava. Caso desse abertura, não custaria para, dentro de alguns dias, vir de supetão e bater à porta da minha casa, de mala e cuia. Trazendo consigo toda a trupe. 
  O tempo passou até que, um dia, veio me perguntar qual era o bairro onde eu morava. Falei um nome qualquer e então, perguntou:
- Rua?
-Por quê?
- Tenho um amigo que mora aí.
Novamente, a mesma ladainha. Ditei um nome fictício e mesmo assim, não desistiu:
-Número?
Nem preciso dizer que dei-lhe um número falso.
Dias depois, veio me perguntar:
-Quando você vai visitar os seus pais?
Aquilo foi a gota d´água para que eu disparasse:
- Por que quer saber?
-Não posso perguntar? O seu pai é meu tio.
- Eu sei muito bem que o seu pai e o meu são irmãos, por isso nós somos primos. No entanto, você e eu não temos nenhuma intimidade. Já se deu conta disso? Acho que não.Por um acaso, eu fico querendo saber da sua vida? Não. E sabe por quê? Porque ela não me interessa.   









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Conto- Persona Non Grata


Eric do Vale


“Eu sei, o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não me esqueci”
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos: Fera Ferida)


Quanto tempo, hein! Já não me recordo da última vez que nos vimos e aposto que você também não.  Hoje em dia, estas redes sociais tornaram-se ferramentas indispensáveis para aqueles que desejam reencontrar alguém, como é o nosso caso. Não vou mentir que muito me admirei de você ter me procurado e honestamente falando: preferiria que os nossos caminhos jamais se cruzassem. Entretanto, Deus é muito sábio e, certamente, não iria promover este “encontro” de forma casual.
Seja em virtude da nossa pouca convivência ou do nosso distanciamento, eu, particularmente, tenho dúvidas da possibilidade de virmos a ter algum vínculo, no futuro. Não me refiro exatamente a essas duas coisas, mas sim a sua pessoa.
 Ao que me consta, você não possuí uma harmoniosa relação com os seus familiares e além disso, há um outro motivo que considero bastante justificável e faço muito gosto de apresentá-lo: você nunca demonstrou simpatia pelos meus pais. Assim que eles se separaram, a sua primeira reação foi sair maldizendo da minha mãe, está lembrada? Caso contrário, eu me lembro, pois até para mim, que contava com sete para oito anos de idade, você falou horrores dela sem se importar com os meus sentimentos e sequer teve o bom senso de economizar nos chulos adjetivos aos quais prefiro não repeti-los. Quero também lembrá-la de que não foi só uma vez que isso aconteceu e essa mesma atitude, você, posteriormente, tomaria em relação ao meu pai.
Creio que você desconheça o real significado da palavra “respeito”, haja vista que este seu ar de “palmatória do mundo” tenha te possibilitado, sempre, passar por cima de quem quer que fosse. Ao fazer esse desabafo, percebo, agora, que você foi a primeira pessoa, senão uma das, que conheci, ao longo da vida, cujo passatempo consiste em espinafrar os outros, na proporção que se esquece de enxergar o próprio rabo.
Nunca foi segredo para ninguém que mesmo estando, por muitos anos, casados, você e o seu “digníssimo” marido vivem feito cão e gato em que, várias vezes, ele chegou a te bater. Provavelmente, isso tenha contribuído bastante para a formação dos seus dois filhos, tornando-os, assim, reflexos dessa “união”. O que dizer do mais velho? Tendo como referência um pai e uma mãe habituados a levarem vantagens em tudo, era inevitável não seguir os mesmos passos e vir a ser o que, atualmente, é: um grandessíssimo larápio. E por que não dizer: ladrão? Quanto ao caçula, o fato dele não falar é decorrência das inúmeras ocasiões em que assistiu a dantesca cena dos pais se digladiando.

Bem que eu gostaria de deixar para lá e fingir que nada disso aconteceu, porém tal comportamento não corresponde com a minha personalidade. Reconheço, todavia, que estou sendo muito cruel e por isso, peço desculpas. Atualmente, nada sei a seu respeito e nem me interessa saber. Também, não tenho ideia de como vai ser daqui para frente, mas é bem certo de que o tempo há de se encarregar disso.



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domingo, 16 de agosto de 2015

Artigo- Raio X

Eric do Vale

Uma vez que colocamos a para bater, as chances de sairmos ilesos   tornam-se mínimas ou nulas. Assim, aconteceu com a Dilma Rousseff, quando delegou plenos poderes à Polícia Federal para pudessem desenvolver um trabalho investigativo que, a torto e a direita, vem descobrindo inúmeros esquemas de corrupção. Pergunto: de quem é a responsabilidade?
Antes da gestão Lula e Dilma, quantas vezes tomamos conhecimentos desses escândalos? Direciono essa pergunto a todos aqueles que tem como costume espinafrar o atual governo, toda vez que tomam conhecimento de um escândalo no cenário político nacional.
O mais surpreendente é que a maioria dessas pessoas que, hoje, enchem a boca para maldizerem do atual governo, são as mesmas que demonstravam insatisfação com as gestões anteriores.
E é exatamente para essas pessoas com esse tipo de mentalidade que bato na mesma tecla dizendo o seguinte:  não é de hoje que a corrupção existe em nosso país. Portanto, está mais do que na hora de reaverem os seus conceitos encarando a realidade do jeito que ela é, em vez de ficarem de braços cruzados.  



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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Conto- Contrabalança


     Eric do Vale

“Na Hora ‘H’
No dia ‘d’
Ninguém paga para ver
Tudo fica pra trás
Querem mais é esquecer.”
(A Verdade A Ver Navios: Humberto Gessinger)
           



Acompanhei o delegado até o local do crime, onde jazia o cadáver de uma mulher praticamente despida e deitada de bruços. Ao flagrá-la na cama com outro homem, o marido sacou a arma e, primeiramente, tentou atirar no amante, mas esse pulou a janela e fugiu enrolado no lençol. Ela também tentou fugir, mas terminou sendo baleada nas costas e, depois, na nuca. Mesmo já estando morta, ele atirou três vezes no rosto dela
   Advoguei por um período de três anos até ser aprovado no concurso para promotor de justiça daquele município que, sobre vários aspectos, não diferia das demais cidades interioranas do país.
A minha primeira iniciativa, logo que cheguei, foi reabrir o inquérito sobre o assassinato de um padre e constatei que havia muita gente graúda envolvida. Estava bem perto de desvendar aquele caso, quando, misteriosamente, o delegado foi transferido. Naquelas circunstancias, restava-me, muito a contragosto, dançar a música, conforme era executada.  
Impressionava-me saber que a prática daquele ato brutal partiu de uma pessoa que, segundo grande parte da população, apresentava um comportamento distinto. Eu, inclusive, o conhecia e por sinal, muito bem. Preso em flagrante, ele afirmou que o crime havia sido premeditado, pois, há tempos, tinha conhecimento de que a esposa o traia. Por isso, achou necessário “lavar a honra com sangue”.  Eu me perguntava: “Como é possível alguém ter esse tipo de pensamento, em plena contemporaneidade?”. O mais surpreendente é que todos, naquela cidade, estavam a favor dele, inclusive o delegado.    
 Quando eu a vi estendida no chão com cinco balas dundum cravadas no corpo, conclui que aquilo não passava de um crime hediondo e me questionei: “Está bem, ele tinha motivos para ter feito o que fez, mas será que havia precisão daquilo?” .
Dias depois, o amante dela veio até a minha sala e disse:
- Doutor, o destino está nas suas mãos, por isso o senhor tem que fazer justiça. Aquele patife tem que ser condenado.
-Isso fica a cargo do juiz.
-Mas, o senhor é promotor, portanto tem de acusá-lo.  Não imagina o perigo que ele representa para a sociedade, eu sei muito bem o que estou dizendo. Na noite do crime, ele parecia possuído pelo demônio. Se eu não tivesse pulado a janela... 
Ter ouvido aquilo me fez pensar que, até que enfim, existia, naquela cidade, uma voz sensata e como, anteriormente, havia dito: “Eu conhecia o réu e por sinal, muito bem”. Portanto, sabia que ele era totalmente incapaz de fazer mal a quem quer que fosse. Todavia, eu, na qualidade de promotor, tinha que cumprir com o meu dever.  
- Você está coberto de razão. _ Disse apertando-lhe a mão. – Agora, me responda: você, por um acaso, já se colocou no lugar do réu?
-Não entendi.
- É muito simples: suponhamos que você fosse casado e encontrasse a sua esposa na mesma situação em que ele a encontrou. Qual seria a sua reação? 





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