sábado, 28 de novembro de 2015

Conto- Gran Final

Eric do Vale

            Fechadas as cortinas, não vejo a menor necessidade de prosseguir com esta encenação barata, visto que está tudo terminado. Era sabido que, um dia, isso chegaria ao fim e agora, não me resta mais nenhuma dúvida.
Desempenhei o meu papel com maestria até me decidir mudar de função e escrever o desfecho deste ato.   Nunca gostei de despedidas e por isso, não me darei ao trabalho de olhar para trás na ilusão de obter algum aplauso. 

Foi preciso passar por tudo isto para que eu pudesse reconhecer o meu valor e concordar com aquela tese que diz que o ser humano é forte, porque é adaptável a tudo. E o que mais me impressiona é que, durante todo esse tempo, eu permaneci imune a este mal que, desde sempre, contagia a humanidade: a ignorância.  Tenho plena convicção de que não só está impregnada na sua alma, como também sou capaz de, categoricamente, afirmar que você é a personificação dela.  





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Conto- Despedida 2

Eric do Vale

Muitas vezes, achei por bem não te contrariar para não entrar em atrito com você. Eu, melhor do que ninguém, sei que receber críticas nunca foi o seu forte.  Bastasse alguém descordar, para você se exceder e apelar para abaixaria.
            Quero que você saiba de uma coisa: mesmo estando sempre do seu lado, jamais compactuei com isso. Apesar de, há bastante tempo, te conhecer, somente agora, eu vi quem realmente você é.
É claro que eu já tinha ciência de tais atitudes, mas foi preciso enxergar com os meus próprios olhos para concluir que fiz vista grossa demais para tudo isso. Acho muito provável que, depois de ouvir este desabafo, você me inclua na sua lista negra. Quer saber? Para mim isso não tem nenhuma importância.





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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Conto- O Mesmo Filme

Eric do Vale

Atendi o telefone, no meio de expediente, e alguém, do outro lado da linha, falou:
-Alô, Rui?
            -É ele, quem está falando?
-Sou eu...
Antes de me recuperar do susto, aquela voz continuou:
-Quanto tempo, não é?
- É verdade.
-Quando foi mesmo a última vez que nos vimos?
-Não faço ideia. Acho que foi há nove anos, por aí. O que você conta de novo?  
-Eu? Nada. E você?
-Idem.
-A propósito, preciso muito falar com você. Tem algum problema de eu passar no seu escritório, amanhã?
-Problema nenhum.
-Então, está combinado.
Fazia tempo que não nos víamos e bota tempo nisso!  Durante dois anos, fomos colegas de escola e sempre que alguém mexia comigo, vinha sempre em meu socorro para me defender. Foi ali que surgiu a nossa amizade. Só voltamos ater algum contato, depois de muitos anos, por meio de uma rede social.  Nessa época, eu me encontrava na metade do curso de direito. Vez ou outra, mandava-lhe algum recado, mas nunca era correspondido e uma vez que já tinha me conformado com aquilo, fui pego de surpresa:
-Olá, Rui. Quanto tempo!
-O quem tem feito?
-Estudando e trabalhando. E você, Rui?
-A mesma coisa, estou no sexto semestre do curso de Direito. E você.
-Perto de terminar administração.
-Qual é o seu telefone, posso te ligar?
-Sim.
Telefonei, logo em seguida, e a conversa não parou mais.
-Quer dizer que você está precisando de dinheiro? _ Perguntei.
-Sim, é para pagar a minha faculdade. Eu até peço desculpas de estar te fazendo esse pedido, Rui.
-Desculpa de quê?  Só posso te que estamos no mesmo barco, veja o meu caso: tenho que trabalhar de manhã e à noite, tenho que ir para a faculdade.  Sem falar na mensalidade que é quase a metade do meu salário que é uma mixaria.
Passava das dez horas da manhã, quando a minha secretaria disse que tinha uma pessoa querendo falar comigo. Disse que deixasse entrar e ela, assim o fez. Pedi para que se sentasse e ofereci-lhe café e água. Em seguida, perguntei:
-A que devo a honra de sua visita?
-Preciso da sua ajuda.
-Minha ajuda?
-Sim, você é advogado e por sinal, um dos melhores.
Tive a impressão de já ter visto aquele filme antes e por isso, falei:
  -Não conte comigo. _ Falei.
-Por quê?
-Me dê uma razão para que eu te ajude.
-Além de ser um grande advogado, nós estudamos no mesmo colégio. Não se lembra quando o pessoal mexia com você e eu te defendia?  
- Sou um advogado conceituado e possuo uma excelente clientela, por isso não quero botar tudo a perder por sua causa.
-Por minha causa? Não estou entendo pode ser mais claro? 
- Lembra-se de quando me pediu dinheiro emprestado? Você garantiu, em nome da nossa amizade, que me pagaria, assim que pudesse. Ainda hoje, eu me lembro das suas últimas palavras: “Não vou me sujar com você, por causa de um reles dinheiro.”.  Que ironia! Sendo assim, não moverei uma palha para te ajudar.
Antes que dissesse alguma coisa, levantei-me, caminhei até a porta e abri dizendo:

-Passe bem. 





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sábado, 31 de outubro de 2015

Conto- Despedida

  Eric do Vale


Não faço ideia de qual seja o seu ponto de vista referente a minha pessoa, mas eu sei o que  penso sobre você. O nosso contato sempre foi muito restrito e nunca trocamos mais do que duas palavras, por quê? Jamais houve, entre nós dois, uma afinidade e acho pouco provável disso, algum dia, vir a acontecer, porque somos muito diferentes: seja na educação ou no caráter. Principalmente, nesse último quesito.  
Desde já, fique você sabendo, que para mim sempre foi muito penoso dirigir-lhe a palavra, pois, no meu entender, tal ato só é propicio para aqueles que são dignos. Mesmo assim, eu me sujeitava a isso por uma simples razão: educação. Coisa que você não deve saber o que é.
Bastou eu virar as costas para você manifestar o seu descontentamento em relação a minha maneira de ser, pensa que não fiquei sabendo disso? Seria muito mais nobre, se tivesse feito isso na minha presença, mas vergonha na cara não é todo mundo que tem.
            A minha apatia converteu-se em desprezo, na medida que o meu grau de tolerância por você minguou. Assim como as demais pessoas que fazem parte do nosso convívio diário, você faz jus a este mundo em que vivemos.
            Sei que não sou melhor do que ninguém e estou muito longe de alcançar tal proeza, porque possuo inúmeros defeitos. E como nem tudo são espinhos, posso afirmar que você é um exemplo típico de tudo aquilo que não deve ser seguido. 







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Conto -Apenas Um Sonho No Rio


                                                            Eric do Vale


O ano mal havia começado e todo mundo, a sua maneira, procurava um norte. Durante uma conversa informal, alguém falou:
      - Quando James Taylor subiu no palco e começou a cantar uma daquelas baladinhas românticas...O público veio abaixo. Eu vi tudo pela televisão.
    Quem foi o cristão que teve a ideia de trazê-lo? Tudo bem que ele seja uma celebridade, mas não tinha nada a ver com aquela programação. E o que eu estava fazendo lá? Até hoje, essa pergunta me persegue.
        Estava decidido a ir embora, quando um amigo meu perguntou:
             -Já? Por quê?
         Ele me falou sobre um concerto que aconteceria, dentro de alguns dias, e eu acabei me convencendo a ficar.
     Ao chegarmos, soube que o James Taylor tocaria naquela noite. Pensei: “Essa não! Era só o que me faltava!”. No meio daquela multidão, fui me distanciando do meu amigo decidido, de uma vez por todas, a ir embora, quando trombei com uma moça e essa, sem querer, derramou cerveja na minha camisa.
Falei vários palavrões, enquanto ela não sabia o que fazer e permaneceu parada, na minha frente. Aquilo tornou-se um aditivo para eu ir embora, quando, naquele momento, o James Taylor começou a cantar You re Got a Friend. Acho que não preciso dizer mais nada. 





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domingo, 25 de outubro de 2015

Conto- Face A Face

Eric do Vale

Hoje, fazem exatamente dois anos que nos reencontramos, dois anos! Não sei se você se lembra disso, creio que não. Foi nesse dia em que você me perguntou se eu estava casado e a minha resposta foi não. Você ainda quis saber se eu tinha namorada e, novamente, a minha resposta foi não. Então, você disse: “Não entendo, você um cara tão bonito e charmoso!”. Aquilo me surpreendeu. Não que eu me considere feio, nada disso. Lembro-me que, naqueles tempos, você fazia questão de enaltecer a minha inteligência, na medida em que critica o meu comportamento agressivo. Nem me darei ao trabalho de refrescar a sua memória, porque sei que você se lembra disso.
Após você ter me dito isso, sabe o que pensei? Beleza e inteligência são duas virtudes que nunca caminham juntas. Minto, caminham sim: nos contos de fadas. Na vida real, um homem detentor dessas qualidades ou é gay ou um psicopata. Não ou eu quem estou levantando essa tese, mas sim as pesquisas que são feitas, diariamente. E o que você acha disso? Refiro-me à minha pessoa, acha que sou bicha ou psicopata?  A primeira hipótese pode ser descartada, tenho certeza de que não sou homossexual, porque gosto, e muito de mulher e você bem sabe disso. 
E o que você acha da segunda hipótese? Nunca, até então, tirei a vida de ninguém, contudo sempre há uma primeira vez, não acha?    Você, naqueles tempos, fazia as vezes de minha advogada e, ao mesmo tempo, promotora. Você, melhor do que ninguém, me compreendia. Como disse, você sabia dos meus defeitos e qualidades e nunca perdia a oportunidade de apontá-los. Isso não ocorria diariamente, mas sim a toda hora. Fosse a sós, na frente de todo mundo e até sem a minha presença, você sempre falava desse meu comportamento dúbio. Quero acreditar que você tenha sido a primeira pessoa, naquele momento, a saber quem realmente eu era e, atualmente, sou.
Sumi do mapa e depois de algum tempo, surjo, sem mais nem menos, na sua frente como um fantasma. Você acha mesmo que aquele nosso reencontro foi por acaso? Tenho certeza absoluta de que no momento em que você me viu não tenha pensado: “Meu Deus, é ele!”. Qualquer pessoa, daquela época, teria feito essa pergunta, inclusive você.

 Você, por um acaso, não entrou em contato com o pessoal, daquele tempo, e não o avisou de que eu tinha voltado?   Nunca passou pela sua cabeça de que eu estivesse seguindo os seus passos, conforme, até hoje, venho fazendo? 





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sábado, 24 de outubro de 2015

Conto- Cizânia

Eric do Vale


Reparo que a mesa onde costumo me reunir, na hora do almoço, com os meus colegas encontra-se, em sentido figurado, ocupada. Como há apenas uma pessoa, não vejo problema de ir até lá e esperar pelos meus colegas que chegarão, dentro de alguns minutos. Mas, prefiro almoçar só do que dividir a mesa com ela.
Há mais de dois anos que estou nesse emprego e nunca trocamos uma palavra, nem mesmo um “olá”. Por quê? Digamos que o meu santo não bateu com o dela. Essa é a única explicação plausível que consigo encontrar.
  Quem sabe, não estou sendo intransigente? Sim, isso é possível. Ninguém tem obrigação de ir com a cara de alguém assim, de primeira. Levando em conta que é comum vê-la almoçando sozinha, penso em ir até lá e fazer companhia a ela, não custa tentar. Pra quê? Ela não vai me dizer nada e continuará me ignorando como sempre fez. E o que é que tem? Farei a mesma coisa, pronto.
Continuo comendo e a vejo se levantar. Intimamente, torço para que ela atravesse aquela porta. Ao sair, fico por mais alguns segundos sentando até, discretamente, me levantar e ir para a mesa onde ela estava.
Nesse momento, os meus colegas começam a chegar, de um por um. Ainda que pensasse em comentar com eles sobre esse assunto, achei melhor guardá-lo para mim. Termino o meu almoço, levanto-me e penso nisso estabelecendo uma espécie de mea-culpa: “Será que o problema não está comigo?”.
...

Ricardo encontra-se no setor pessoal convicto a pedir as contas, mesmo ciente de que perderá alguns benefícios.
- Se quiser, podemos transferi-lo para a nossa filial. _ Disse o funcionário do RH.
- Não, obrigado.
            - Aguarde só um minuto. _ Pegando o telefone e discando.
            Colocado o telefone no gancho, ele diz:
-O chefe pediu para você ir até a sala dele.  
O potencial de Ricardo é uma faca de dois gumes: há quem o superestimem, como existem aqueles que não escondem o desejo de vê-lo pelas costas e fazem questão de humilhá-lo, chegando ao ponto de sabotarem os seus trabalhos.
Ricardo, certa vez, imprimiu uma planilha de contas com a finalidade de mostrá-la ao chefe e bastou ir ao banheiro para que, em poucos segundos, aquele documento evaporasse da mesa dele.  Sorte que ele tinha esse arquivo salvo no pen drive.
 Fatos feito esse tornaram-se bastante corriqueiros até que o grau de tolerância de Ricardo chegou ao fim, depois que alguém, simulando um acidente, derramou café na camisa dele.   A caminho da sala do chefe, pensou:” Se pensa que vai me convencer, o chefe está muito enganado...”. 

...
Hoje, pela manhã, tomei o maior susto, quando vi o Ricardo chegando para assinar a folha de ponto. Ontem, à tarde, ele veio até a minha mesa e falou:
-Estou saindo.
-Saindo?
-Vou cair fora.
- Recebeu uma nova oferta de emprego?
-Não.
-Não?
-Pedi as contas. Não vou cumprir aviso prévio e nem quero.
Nos despedimos e ele saiu. Apesar de considerar aquele ato insano, eu, no lugar dele, também teria feito a mesma coisa.   Pelo menos, o Ricardo teve peito. Ao contrário de muita gente que insatisfeitos, fazem corpo mole para receberem as contas.

Saio do refeitório e encontro o Ricardo pelas galerias. Conversamos um pouco e fico sabendo que o chefe o convenceu a ficar, na condição de remanejá-lo para outro setor. O Ricardo também me falou que deixou o chefe a par do constrangimento ao qual vinha sofrendo por parte de alguns colaboradores, mas não citou nomes. A única exceção foi a dita cuja. Ele não fazia ideia do alivio que eu senti, ao ouvir aquilo.  



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