domingo, 30 de outubro de 2016

Conto- Sementes E Frutos

Eric do Vale

“Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade”
(Preludio: Raul Seixas)


Aquelas palavras nunca saíram do pensamento “Você tem que visualizar as suas conquistas. E não apenas isso, deve também deve sentir-se como se já tivesse conquistado.”. Por isso, imaginou que aquele modesto quarto de estudo como um prospero consultório médico ou um respectivo escritório de advocacia.
Sempre que ia para a faculdade, imaginava-se trajando uma roupa branca, ou um terno e gravata, segurando uma pasta de couro, ou uma valise, em direção a uma consulta ou audiência.
Dentro do seu escritório, ou consultório, lembra-se daqueles tempos de estudante; o consultório, ou escritório, no quarto de estudos de outrora. Nas consultas, ou audiências, que, hoje, fazem parte de sua rotina recorda-se, com frequência, daqueles dias em que ia para a faculdade na busca de suas realizações.
E aquelas palavras... O que mais lhe confortava era saber não havia mais precisão de visualizar as suas conquistas e, muito menos, senti-las como se já tivesse alcançado tais objetivos, porque tudo, agora, estava sendo vivenciado.

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Conto- Maus Bocados

Eric do Vale

Ninguém perguntou nada, quando a viram chegando de mala e cuia, mas todos, daquela cidade, sabiam que alguma coisa tinha acontecido. Uma mulher como ela poderia ter o homem que quisesse, mas preferiu entregar-se justamente aquele sujeito. Meses depois, eles haviam se casado até evaporarem.
Descobriu-se, pouco tempo depois, que aquele homem, assim como os familiares dele eram procurados pela polícia, em virtude de vários golpes. O que ela viu naquele sujeito? Essa era a pergunta que todos os habitantes daquela cidade faziam. 
Durante três anos, ela comeu o pão que o diabo amassou. Se conviver com o marido já era um inferno, com os sogros então... Ainda mais que esses dois eram a personificação do demônio.
Há quem fale que ela sofreu cárcere privado e, várias vezes, alguém tinha que avisá-la que a sogra estava chegando para ter tempo de trancar-se no quarto, porque essa queria assassiná-la.  Aquele pessoal teve a proeza de surrupiar todas as economias que ela havia juntado, depois de muito trabalho.
Lá estava ela, com a mão na frente e a outra atrás, e longe de ser aquela mulher esfuziante de outrora caminhando, com um olhar vago, em direção a casa dos pais, onde nunca deveria ter saído. 
-Como vai o seu marido? _ Perguntou alguém que a viu. 
-Morreu. _ Respondeu secamente.
-Eu sinto muito!
Ela não deu importância e ao e pensou: “Morreram todos, para mim”.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Poesia- Um Dia

Eric do Vale

Se não for Vai ser
Se não foi hoje
Amanhã, talvez,
Outro dia, quem sabe
Aqui estamos
E por aí nós vamos.


Conto- Elas E Eu

Eric do Vale

A minha mulher me mataria, pois associaria o nome dela a outra e o que é que eu iria dizer? Certamente, falaria:
-Amor, não é essa... Tem uma outra da chamada...
Então, eu me complicaria todo.
Sou adepto da ideia de que há coisas que nunca devem ser ditas, nem mesmo para um padre, durante a confissão, e a um analista, no meio de uma sessão.
Fico só me imaginando deitado em um divã dizendo: "Doutor, eu não sei o que há comigo, mas, de uns tempos pra cá, percebi que não posso conhecer nenhuma mulher com esse nome...".
A primeira... Ah, a primeira!  Quando me lembro dela, associo a nossa história a uma sinopse de novela. Por que acabou?  Sempre que me faço essa pergunta, tenho vontade de voltar no tempo e concertar toda a burrada que fiz.
A número dois, não sei o que foi que aconteceu. Ainda hoje, eu me pergunto: “Por que parou? Parou por quê?”. Eu a quis e ela bem sabe disso. Agora, é a terceira, fora uma outra...Além do nome, elas são iguais em tudo: beleza, personalidade e possuem muito fogo. Não sei o que faço! Por que eu? Por que elas?


Conto- Viagem

Eric do Vale


a)      A Ida

Chamava-me a atenção o andar daquele homem:  era todo desengonçado; parecia que iria cair no chão. Ele continuou cambaleando até pegar um pedaço de pau e jogá-lo na janela do ônibus, onde eu estava.
- Ainda bem que não era uma pedra, porque quebraria o vidro _ Comentou um passageiro. 
Quando isso aconteceu, o ônibus já estava em movimento.
A minha prima, que me acompanhou nessa viagem, falou, assim que chegamos, para uns parentes nossos sobre um homem que entrou no ônibus, onde estávamos, dizendo-se padecer de problemas mentais e depois, quis arranjar briga com os passageiros.
Impaciente, o motorista, ajudado por dois passageiros, colocaram- no para fora do ônibus. 
-Ele saiu todo desequilibrado, pegou um pedaço de pau e atirou contra a janela do ônibus. _ Falou a minha prima.
Até hoje, eu não entendo como não fiquei a par do que estava acontecendo a minha volta.





b)     A Volta

Se não me engano, fazia uma hora que estávamos na estrada, quando um homem começou a falar muito alto. Percebia-se que ele estava bastante alterado e falava frases desconexas. 
Naquele momento, o rádio, estava ligado e tocava aquela música Vou de Táxi.
-Desliga essa... senão, eu vou quebrar... _   Gritou esse homem, conforme ia falando os mais variados palavrões.
O motorista, naquelas condições, desligou o rádio. Mesmo assim, ele não cessou com os xingamentos;
De repente, o ônibus parou para receber os passageiros de um outro ônibus que havia quebrado, conforme vim saber, tempos depois, pelo meu pai:
-Quando eu vi aquele povo chegando, estava vendo a hora daquele cara surtar de vez. _ Disse o meu pai para um conhecido dele.

A viagem prosseguiu e apesar de me sentir cansado e tenebrosos com a fúria daquele homem, servia-me de consolo saber que, logo mais, eu estaria em casa dormindo na minha cama. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Poesia- Tudo E Nada

Eric do Vale


Tudo é tudo
E nada é nada
Ou, quem sabe,
Tudo e nada
E nada é tudo.
Uma vez que
Do nada
Nasci tudo
E do tudo
Se reduz a nada.


domingo, 16 de outubro de 2016

Poesia- O Inexplicável

Eric do Vale


Explicar
O inexplicável
Aquilo
Que
Não
Tem
A
 Menor  
Explicação,
Tonando-se
Impossível
De
Se
Chegar
A
Uma
Conclusão.